Tratando as sementes de soja
Tratando as sementes de soja
Ademir A. Henning, Rubens J. Campo e Gedi J. Sfredo
A falta de cuidados fitossanitários e a rápida expansão da cultura de soja, nas três últimas décadas, permitiram que, na sua maioria, os patógenos da soja fôssem dissseminados através das sementes a todas as regiões produtoras.
A implantação adequada da cultura da soja, com diminuição de riscos e com possibilidade de retorno econômico, depende da correta utilização de diversas práticas. O bom preparo do solo ou a utilização correta de herbicidas, a boa regulagem da semeadora (densidade e profundidade) e a utilização de sementes de boa qualidade são práticas essenciais.
Todavia, frequentemente, a semeadura não é realizada em condições ideais, o que resulta em sérios problemas na emergência da soja, havendo, muitas vezes, a necessidade de ressemeadura. Em tais circunstâncias, o tratamento da semente com fungicidas (sistêmico + contato) oferece garantia adicional ao estabelecimento da lavoura a custos reduzidos (menos de 0,5% do custo de instalação da lavoura).
O tratamento de sementes com fungicidas, além de controlar patógenos importantes transmitidos pela semente, é uma prática eficiente para assegurar populações adequadas de plantas, quando as condições edafoclimmmáticas, durante a semeadura, são desfavoráveis à germinação e à emergência da soja, deixando a semente exposta por mais tempo a fungos do solo.
O papel do tratamento de sementes com fungicidas é proteger as sementes contra fungos do solo e controlar fitopatógenos presentes nelas. Assim, é importante que se aplique o fungicida de contato e sistêmico ao mesmo tempo.
Outra tecnologia recomendada é o tratamento das sementes de soja com micronutrientes. O aumento progressivo das produções de soja, fruto do uso intensivo de técnicas agrícolas modernas, vem promovendo retirada de micronutrientes do solo, sem que se estabeleça reposição adequada. Associados a esse fato, a má correção da acidez e o manejo inadequado do solo, promovendo decréscimo acentuado do teor de matéria orgânica, provavelmente, têm alterado a disponibilidade de micronutrientes essenciais à nutrição da soja e ao perfeito estabelecimento da associação bradirrizóobio & soja.
Estudos realizados em diferentes regiões do Brasil, têm demonstrado deficiência ou toxicidade aguda de vários elementos no solo, inclusive com sintomas visuais nas plantas. O molibdênio (Mo), o cobalto (Co), o zinco (Zn), o cobre (Cu), o manganês (Mn) e o boro (B) são os elementos mais deficientes, principalmente nos solos do Cerrado, afetando drasticamente as espécies cultivadas naquela região. Entretanto, mesmo nas regiões onde os micronutrientes não apresentavam problemas, como a Região Sul, já foram detectadas deficiências de Mo e Co. Respostas significativas no rendimento têm sido verificadas com a aplicação de micronutrientes nas sementes, especialmente molibdênio e cobalto.
A soja obtém a maior parte do nitrgoênio de que necessita através da associação simbiótica com a bactéria do gênero Bradyrhizobium, espécies B. japonicum e B. elkanii, comumente conhecidas como bradirrizóbio. A adubação nitrogenada é desnecessária e prejudicial à fixação simbiótica do nitrogênio. Mesmo em solos com grandes quantidades de restos vegetais, não há efeito positivo da aplicação de restos vegetais, não há efeito positivo da aplicação de nitrogênio na produção de soja. Por isso, além das práticas citadas acima, a inoculação das sementes de soja necessita ser feita, pois ela representa acréscimos de rendimento de 4% a 15%, com custo também em torno de 0,5% do custo de instalação da lavoura.
É importante lembrar que os trabalhos de pesquisa de soja, no Brasil, têm desenvolvido novas tecnologias de cultivo de soja, com aumentos sucessivos de produtividade o que, por consequência, implica maior necessidade de nitrogênio para a cultura. Assim, como todo o processo é dinâmico, trabalhos intensivos da pesquisa em fixação biológica do nitrogênio são necessários, na busca de novas tecnologias de inoculação e de novas estirpes de bradirrizóbio que concorram com as estirpes naturalizadas no solo e que apresentem maior capacidade de fixar nitrogênio.
As três operações - tratamento de sementes com fungicidas, aplicação de micronutrientes na semente e inoculação - podem ser realizadas conjuntamente, mas para isso alguns cuidados devem ser tomados. O tratamento com fungicidas e micronutrientes deve ser feito ao mesmo tempo e antes da inoculação. Isso garante boa cobertura e aderência dos fungicidas e dos micronutrientes às sementes, além de diminuir os efeitos tóxicos desses produtos sobre o bradirrizóbio.
Para um tratamento de sementes eficaz e com bons resultados na lavoura, é importante observar as recomendações da pesquisa. Cuidados na hora da preparação, dosagens, produtos e outras recomendações técnicas estão no Comunicado Técnico nº 58 da Embrapa-Soja. Em breve esse Comunicado Técnico estará disponível ao produtor.Outras informações: ACS - Embrapa-Soja; fone (043) 371-6061; fax (043) 371-6201.
Os autores são pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), sediado em Londrina.





