A participação de diversas instituições permitiu a viabilidade do uso de lodo de esgoto na agricultura no Paraná. Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Sanepar e Emater trabalharam no desenvolvimento da tecnologia, sempre amparados em normas técnicas adotadas mundialmente. A pesquisa teve apoio da Finep e CNPq e teve início na década de 1990.
  O engenheiro civil Fernando Fernandes professor de saneamento da UEL, especialista em lodo do esgoto, afirma que a pesquisa resultou em normas e parâmetros para a utilização do lodo na agricultura. ‘‘A segurança é o principal aspecto a ser considerado. É preciso ter certeza de que não haverá riscos de contaminação da população por patógenos e metais pesados’’, explica.
  Segundo o técnico a pesquisa resultou em oito livros que serviram como base para a definição da legislação. Para ele, a tecnologia soluciona a questão ambiental.‘‘Outras alternativas como a incineração e aterro sanitário geram um passivo ambiental’’, afirma.
  Já o lodo do esgoto pode ser um aliado da produção agrícola. De acordo com Fernandes o nitrogênio contido no material, que chega a 4%, tem liberação lenta, o que é uma vantagem em relação às outras fontes do elemento químico. O nível de fósforo fica entre 0,8% e 1%, além de micronutrientes.
  Para Fernandes a tecnologia possibilita também um benefício econômico ao produtores. ‘‘Com a alta no preço dos adubos mineirais, o lodo é uma importante alternativa’’, diz.
  Antônio Carlos Vargas Motta, professor de química e fertilidade do solo da UFPR, afirma que a utilização do lodo fecha o ciclo dos nutrientes na agricultura. ‘‘Os nutrientes saem do campo por meio dos alimentos e depois voltam por meio do lodo’’, diz. Para ele, a tecnologia permite manter o equilíbrio do sistema.
  Um dos bons exemplos da vantagem da tecnologia, segundo Motta, é a recuperação de uma área degradada. ‘‘Era uma área completamente decapada, que teve um aumento de fertilidade em 20 vezes graças ao lodo’’, descreve.
  Motta argumenta que a destinação do lodo é responsabilidade de toda a sociedade, ‘‘que é quem o produz’’, ao contrário do que muitos alegam. ‘‘Esse ônus não é das empresas de saneamento’’, diz.

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