Um terço da humanidade não tem acesso a água de boa qualidade. Mais de 30 mil pessoas morrem diariamente de doenças veiculadas pela água. Pelo menos 1,6 bilhão de crianças entre 0 e 5 anos são atendidas com diarréia anualmente, das quais dois milhões morrem.
Estes dados refletem a falta de informação da sociedade sobre o combate à poluição da água e do meio ambiente. ''Não existe a falta d'água no planeta e sim a falta de água potável. E a escassez faz este recurso tornar-se um comoditie nas mãos dos grandes empresários, que muitas vezes têm uma visão reducionista, de obter lucro a qualquer custo'', enfatizou o professor Valmir de França, doutor em Ciências Ambientais.
Segundo França, a parceria entre indústrias e entidades de pesquisa e universidades seria essencial para o desenvolvimento de projetos de valorização do meio ambiente. ''É perfeitamente possível o reaproveitamento dos resíduos químicos expelidos pelas indústrias. Basta que cada indústria crie um projeto específico que otimize a produção, gerando lucro'', sugeriu o professor.
De acordo com França, cada decolagem de um boeing 737 emite a mesma quantidade de carbono de seis mil fuscas, enquanto um automóvel consome o oxigênio de 80 pinheiros. ''Falta informação. Os empresários não atentam para os custos social e ambiental das indústrias'', disse.
Para compensar o impacto causado no ambiente com a liberação de carbono pelas indústrias, alguns países de grande extensão territorial estão vendendo pedaços de terra para reflorestamento. ''Hoje o preço de uma tonelada de carbono é de US$ 3. Daqui dez anos este valor poderá chegar a US$ 15'', comentou França.
Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em parceria com indústrias estrangeiras, viabiliza o reflorestamento de áreas no Noroeste do estado. Segundo França, os técnicos estão estudando o uso da seringueira no projeto. ''Em sete anos, a seringueira começa a produzir borracha natural, o latex, e depois de 30 anos, pode ser utilizada na fabricação de móveis por ser uma madeira nobre'', declarou.
Em Londrina, apenas 15% do lixo produzido é reaproveitado. ''Se cada família separasse o lixo em casa, o governo economizaria na construção de novos aterros sanitários'', afirmou França.
O professor alerta que o lixo reciclado pode ser usado como matéria-prima para as indústrias locais e gerar renda para as organizações não-governamentais (ONGs) de catadores de lixo. ''Se triturássemos as garrafas plásticas, por exemplo, elevaríamos em 40 vezes o preço de venda e sei que existem empresas a 400 km de Londrina que viriam até aqui buscar este material'', concluiu.

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