Transporte encarece comércio do trigo
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Reportagem Local 
Não há grão, no mundo, mais importante para a alimentação do que o trigo. Nenhum cereal pode substituir integralmente a farinha de trigo na produção de pães, biscoitos e massas. Esta foi a idéia que orientou os palestrantes no Fórum Nacional do Trigo, que aconteceu em Erechim, RS, em meados de julho.
O transporte é um dos principais problemas enfrentados pelo trigo no mundo. Segundo o corretor de cereais Walter Von Muhlen Filho, 45% do transporte marítimo do mundo está voltado ao deslocamento de minérios de ferro, que implica em maiores custos para o transporte de grãos.
No Brasil, a situação do transporte ferroviário não é muito diferente. Na Região Sul, a malha ferroviária é a mesma há mais de 100 anos. Nos demais estados do País, as ferrovias também estão voltadas prioritariamente aos minérios.
Contudo, os desafios do trigo brasileiro, conforme Walter, também existem nos demais países produtores de trigo. Na Argentina, não há qualquer tipo de subsídio à triticultura, ainda assim, o trigo chega com o menor preço no mercado internacional. ''O problema do trigo no Brasil não está na demanda, mas na renda. O brasileiro não consome mais farinha porque não pode comprar'', avaliou.
Numa avaliação rápida das perspectivas do mercado mundial, Ricardo Ferraz, representante do setor moageiro, analisa as inclinações dos principais países produtores de trigo, movimentação responsável pela cotação internacional do cereal: a China, antes grande importador, produziu 90 milhões de toneladas na última safra, volume apenas 4 milhões inferior ao suficiente para suprir seu consumo; o mesmo cenário começa a ser moldado no Leste Europeu, onde a produção de 75 milhões de toneladas já está encaminhando a auto-suficiência. ''Fecha-se um mercado para o trigo, enquanto aumenta a exportação brasileira de carne. O europeu está trocando cereais por suínos e aves'', explicou.
A Argentina aumentou em 50% sua produtividade de trigo - sem aumento de área plantada -, saltando de 10 para 15 milhões de toneladas que devem chegar ao mercado na próxima safra. ''Com um consumo de apenas 8 milhões de tonelada, é evidente que os argentinos estão se preparando para o mercado externo'', afirmou Ricardo Ferraz. Ele lembrou que se a média estatística dos últimos dez anos nunca mostrou sobressaltos no preço do trigo brasileiro, a tendência dos próximos anos é de queda ainda maior se o objetivo foi o mercado internacional.


