A alta no preço do transporte rodoviário está preocupando os dirigentes das cooperativas que começam a escoar a safra dos produtores associados. Na região de Londrina, o aumento nos valores praticados atinge 40% com relação ao ano passado, mas a expectativa é que os preços aumentem ainda mais a partir de abril, na época de pico das colheitas.
As condições das estradas rurais também preocupam as cooperativas e representantes dos órgãos públicos responsáveis pela manutenção das vias. No final do processo de escoamento da safra, o prejuízo acaba sendo repassado para o produtor, que assume os gastos com conserto dos veículos e a alta nos preços do frete.
Superlotação Hermelino Nogueira, gerente de comercialização da cooperativa Valcoop, considera que os problemas com o escoamento da safra se agravaram em 2001, por causa da supersafra da soja (perspectivas do Ministério da Agricultura apontam a produção de 34,8 milhões de toneladas) e do aumento significativo no volume de exportação do milho que, segundo ele, deve atingir quase um milhão de toneladas.
Para Nogueira, esta situação explica a superlotação do Porto de Paranaguá - onde os caminhoneiros enfrentam filas quilométricas para descarregar seus veículos - e o alto preço do frete. Ele também citou o aumento dos contratos feitos em dólar para justificar a concentração da soja no porto. ‘‘Os produtores precisam cumprir os prazos de entrega do produto para não pagarem multas’’, disse o gerente de comercialização da Valccop, que até semana passada tinha escoado seis mil toneladas de soja e milho para o porto.
O supervisor comercial da Cooperativa Integrada, de Londrina, Adir Dias, informou que no ano passado pagou o preço máximo de R$ 35,00 por tonelada transportada, mas hoje as transportadoras já estão cobrando R$ 49,00. ‘‘Em abril, deve ficar ainda mais caro’’, prevê. Ele atribui a alta principalmente ao aumento no preço dos pedágios. ‘‘Os transportadores estão muito insatisfeitos.’’
Dias lembrou que apesar da alta nos custos de produção e transporte, o preço dos grãos está mais baixo. ‘‘O prejuízo vai sair do bolso dos produtores’’, analisou. Para ele, uma solução para amenizar os gastos com o escoamento seria melhorar as condições da malha ferroviária, disponibilizando mais máquinas e vagões para o escoamento. No ano passado, a Integrada transportou 30% do volume enviado ao porto de Paranaguá pela via ferroviária.
Estradas rurais Os representantes das duas cooperativas comentaram que os produtores estão reclamando das condições das estradas rurais da região. Segundo eles, a falta de manutenção traz mais prejuízos e acaba onerando os agricultores com o conserto dos carros.
Para o engenheiro agrônomo Udo Bublitz, da área de recursos naturais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Paraná, as estradas rurais paranaenses precisarão de manutenção e cascalhamento para suportar o pico da colheita da safra de verão, que começou na segunda quinzena de março e se estende durante todo o mês de abril.
Ele acredita que o transporte dos grãos pode ser prejudicado pela falta de condições das vias de escoamento. ‘‘Os períodos intensos de chuvas constituem a principal causa de deterioração das estradas’’, avisou, lembrando que a dificuldade no transporte pode resultar em prejuízos aos agricultores. ‘‘O produtor que não possui armazém para guardar os grãos vai ter dificuldades e corre o risco de enfrentar perdas.’’
Prioridades No Paraná, a responsabilidade pela manutenção fica a cargo das prefeituras municipais, que contam com recursos do programa Paraná 12 Meses e o apoio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para realizar a tarefa. De acordo com o agrônomo da Emater, as regiões Oeste, Centro-Oeste, Norte e parte do Sudoeste integram a lista de prioridades para liberação dos recursos, pois concentram a maior produção de grãos do Estado.
‘‘Este ano a situação está complicada porque a maioria dos prefeitos assumiu a administração municipal sem dinheiro’’, analisou. Para Bublitz, a situação pode ser amenizada pela formação de parcerias entre prefeituras, cooperativas e os próprios agricultores, que juntos podem investir na manutenção das estradas. ‘‘É preciso ter união para evitar grandes prejuízos’’, ressaltou.
O engenheiro civil Aurélio Fontes Neto, gerente de obras e serviços do DER na região de Londrina, explicou que as obras de construção e manutenção das estradas rurais devem ser pleiteadas pelos prefeitos junto à Emater, que libera os recursos do Paraná 12 Meses. Ao DER, cabe a tarefa de licitar e fiscalizar a execução das obras. O acompanhamento técnico é feito pela administração municipal em conjunto com a Emater.
Manutenção As estradas rurais diferem das convencionais por serem mais estreitas e, normalmente, não possuírem pavimentação. Por isso, precisam receber cascalho para garantir maior segurança aos veículos. Outro cuidado necessário diz respeito à instalação de tubos para o escoamento da água da chuva. O abaolamento (inclinação para o lado) também é recomendável porque permite que a água caia nas laterais, evitando a formação de poças.
O governo estadual tem um programa específico para as vias que integram as microbacias. Trata-se do Estradas Rurais - Caminhos do Saber e da Produção, que faz a pavimentação de caminhos já existentes com asfalto ou pedras poliédricas, ligando as comunidades rurais aos distritos e cidades. O objetivo é facilitar o transporte de filhos de agricultores para as escolas e também criar melhores condições para o escoamento das safras agrícolas.
As estradas do programa são mais estreitas - 3,6 metros de largura - porque atendem apenas o tráfego local. Para facilitar encontros e ultrapassagens de veículos, os acostamentos são construídos com dimensões mais largas. De acordo com Aurélio Fontes Neto, as vias precisam interligar escolas e várias comunidades rurais para receber o benefício. Na região de Londrina, cerca de 25 quilômetros de estradas rurais foram pavimentadas graças ao programa.

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