TRANSPORTE - Venda escalonada evitaria ''boom'' do escoamento
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sexta-feira, 01 de novembro de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Segundo o Conselho Nacional de Estudos de Transportes e Tarifas (Conet), os custos do transporte rodoviário de cargas sofreram uma alta de 7,81% no período de outubro de 2001 a setembro deste ano. O índice mede a evolução de todos os custos de carga fracionada, incluindo os de transferência, administração, terminais, coleta e entrega, gerenciamento de riscos e impostos. Conforme a metodologia adotada pelo conselho, esse índice vale para distâncias entre 750 e 800 km.
No Paraná, cujo principal produto na pauta das exportações é a soja, que depende do transporte rodoviário para chegar até o porto, esses custos já são motivo de preocupação. A próxima safra deve bater um novo recorde de produção de grãos e o crescimento da procura pelos fretes pode representar um aumento significativo nos preços.
Para evitar um ''boom'' nos valores de fretes, que consequentemente terá que ser absorvido pelos produtores, as organizações de produtores sugerem que a venda passe a ser escalonada. Ainda hoje 60% de toda a safra de grãos do Estado são transportados pelas rodovias. Em 2001, como não houve essa organização, o preço chegou a subir até 140% nos meses de pico (março a junho). Esse ano, como os produtores adotaram a venda escalonada, os preços vêm se mantendo estáveis, embora estejam mais de 30% mais altos do que a média praticada nessa época do ano.
O gerente técnico da Ocepar, Nelson Costa, diz que a expectativa dos produtores é chegar no pico da próxima safra com preços de frete, no máximo, equivalentes aos praticados hoje, mesmo apesar da instabilidade econômica que o País atravessa. ''Acreditamos que nos primeiros três meses do próximo ano haverá uma acomodação do dólar, a níveis mais baixos do que os praticados hoje, porque o mercado dará um crédito ao novo presidente'', argumenta.
Existem ainda outros fatores que devem contribuir para evitar um ''boom'' nos preços de transporte. Cerca de 35% da safra paranaense de grãos já estão vendidos, através de contratos futuros. ''A comercialização antecipada pressupõe que não haverá grandes picos de vendas. Sem essa pressão, o valor do frete não sobe'', analisa Costa.
Um terceiro motivo que contribuiria para manter os níveis hoje praticados é a nova logística de escoamento da safra que se desenha no Brasil. O Porto de Paranaguá já não é a única porta de saída dos produtos do agronegócio brasileiro para o exterior. Existem outros seis corredores de exportação em operação ou prestes a ser concluídos. Para escoar a produção do Centro-Oeste, por exemplo, existem como alternativas a hidrovia do Araguaia-Tocantins e a Ferronorte. Portos como o de Manaus, Pará e Maranhão já estão preparados para receber essa nova demanda. Portanto, a previsão é de que não haja falta de frete no Paraná. Sem essa pressão, a tendência é que os preços se mantenham estáveis.
O Porto de Santos também entrou definitivamente na briga pelo escoamento de grãos do Brasil. E como o estado de São Paulo possui quatro ferrovias que dão acesso ao Porto de Santos, o custo de transporte para aquele porto fica reduzido, o que diminui a procura por Paranaguá. A procura menor por frete no Paraná pode ajudar a manter estáveis os preços dos fretes.


