TRANSPORTE - Preço do frete está 30% acima da média histórica
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sexta-feira, 01 de novembro de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O preço do frete praticado hoje no Paraná está cerca de 30% mais caro do que a média histórica praticada nessa época do ano. Segundo a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), o frete hoje está custando R$ 35,00 por tonelada, enquanto o normal para essa época seria R$ 27,00.
A variação do valor foi provacada pela maneira diferente de escoamento da safra que se verificou este ano. Em função da constante variação cambial, o produtor acabou vendendo a soja aos poucos, de forma que faltando apenas três meses para o final do ano, ainda existe 35% da soja da safra 2001-2002 para serem levados ao Porto de Paranaguá.
Essa concentração nos últimos meses do ano deve provocar mais uma elevação no preço. A previsão do diretor executivo da entidade, Ségio Malucelli, é de que o frete chegue ao valor máximo de R$ 45,00 por tonelada, sem considerar o custo do pedágio, que é pago pelo proprietário da carga.
Apesar de alto, conforme estudos elaborados pela Fetranspar, o valor praticado atualmente está defasado em 23%, em função do aumento do preço do diesel.
Cerca de 4,2 mil carretas devem fazer o transporte dos grãos da próxima safra até o Porto de Paranaguá. Malucelli não acredita na possibilidade de migração dos caminhoneiros paranaenses para trabalhar em outros estados, em busca de preços melhores, estradas em boas condições e livres de pedágio. ''O Paraná ainda tem uma boa demanda por fretes, o que prende o caminhoneiro aqui e até atrai profissionais de outros estados no período de escoamento'', analisa.
A redução do preço do frete, na sua visão, dificilmente ocorrerá. ''A oferta de fretes é regida pelas leis de mercado, de oferta e procura. O preço se regulariza em função disso e o frete rodoviário só deve baixar no momento em que houver uma grande concorrência com as ferrovias'', acredita. Outra possibilidade para que essa redução acontecesse seria a manutenção das estradas.
''Temos 15 mil quilômetros de malha rodoviária e só 2,3 mil bem conservados, que fazem parte do Anel de Integração. Mas a maioria das propriedades não está à beira das rodovias pedagiadas'', salienta. Estrada ruim é sinônimo de frete mais caro.


