Transgênicos sem preconceito
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sexta-feira, 23 de março de 2007
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Buenos Aires - A produção de milho transgênico na vizinha Argentina há tempos deixou de ser exclusividade dos campos de pesquisa, como ainda ocorre no Brasil. O cultivo comercial do grão está liberado desde 1999, para o milho Bt (resistente a insetos praga). Em 2004, o governo argentino autorizou também o plantio do milho Roundup Ready (RR) -, que facilita o controle de ervas daninhas.
A área dedicada à cultura do milho naquele país é de 3,1 milhões de hectares (ha). Deste total, 70% com variedades geneticamente modificadas (GM) - 65% milho Bt e 5% milho RR. No ano passado o volume colhido foi de 21 milhões de toneladas. Só para comparar, no Brasil a área de milho é de 8,5 milhões de ha com uma produção de 41 milhões de t. Vale destacar que ''los hermanos argentinos'' tiveram, primeiro, a contribuição da mãe natureza, o solo de lá, segundo técnicos, é mais fértil do que o brasileiro.
A aceitação das sementes transgênicas foi imediata, conta o engenheiro agrônomo Juan José Marto, que administra duas grandes propriedades (uma com 3,6 mil ha e outra com 8,4 mil ha) na província de San Miguel de Tucumán, norte da Argentina. Em números gerais, o técnico argentino informa que, na província, a área de soja é de 230 mil ha (99% de grãos GM) e a de milho 50 mil ha (com índice de 100% de plantas GM).
Marto destaca que, como no Brasil, o principal problema enfrentado com a cultura é o ataque das lagartas (lagarta do cartucho, lagarta da espiga e a broca da cana), cujo controle, pelo porte da planta, é difícil. Por isso, a preferência pelo milho Bt. ''A lavoura está sadia e não exige mais atenção e monitoramento. Sobra tempo para nos dedicarmos a outras atividades'', comemora. A produtividade tem a média de 6 mil quilos/ha. ''Mas há ainda muito que melhorar'', admite.
Já o produtor Aldo Capuano computa o crescimento da produtividade. Na propriedade de 900 hectares, o milho transgênico ocupa 200 ha, com a produção superando a linha dos 8 mil kg/ha. O sossego com a cultura, segundo ele já criou até mesmo um ditado popular: ''É só plantar o milho Bt e sair de férias para Punta del Leste''.
Na Fazenda Javicho, a área de milho transgênico é de 3 mil hectares, que ficam sob a reponsabilidade de dois agrônomos, Sebastián Rojas, funcionário da fazenda, e Mariano Bernasconi, que representa uma empresa de produtos agropecuários. Ambos recordam que, antes da introdução da biotecnologia, o cultivo do milho demandava de 3 a 4 aplicações de defensivos. A produtividade da fazenda também é elevada variando entre 6 a 8 mil kg/ha.
Nos cálculos de todos os produtores visitados, apesar de não haver mais necessidade da aplicação de inseticidas, o custo de produção é o mesmo do convencional (entre US$ 198 a US$ 215/ha ou R$ 417 a R$ 453/ha). A vantagem está no aumento da produtividade. Os produtores argentinos fazem ainda questão de ressaltar que nunca enfrentaram problemas de comercialização da safra transgênica. ''No lançamento das sementes houve comentários sobre resistência ao produto, que não se concretizou, nem mesmo em relação a um preço inferior no mercado'', garante Juan Marto.
A jornalista esteve na Argentina a convite da Monsanto


