Muito tem sido falado sobre a questão do Brasil admitir ou não a produção de alimentos transgênicos. Procurarei analisar a questão do ponto de vista estratégico para o País e, por consequência, para nós, brasileiros.
Sem entrar em detalhes técnicos, os transgênicos podem ser ou não prejudiciais à saúde no longo prazo, e são essas duas possibilidades que fizeram com que esse assunto técnico passasse a ter a cobertura que está tendo na mídia.
Vamos começar com a possibilidade dos alimentos transgênicos serem prejudiciais à saúde no longo prazo. No curto prazo parece que não existem maiores problemas, mas esse mesmo curto prazo oferece oportunidades únicas de posicionamento estratégico do País, nesta questão.
Caso sejam prejudiciais à saúde, dentro de alguns anos (de 5 a 15 anos), as pesquisas científicas se encarregarão de sepultar essa idéia. Durante esse prazo, necessário para passarmos do curto prazo para o longo prazo, a dúvida persistirá.
Os consumidores dos países ricos têm condições econômicas e estão dispostos a pagar um adicional de preços para não correrem o risco de ingerir alimentos modificados.
Esse fator está proporcionando a oportunidade de vender alimentos não transgênicos por um preço mais alto, principalmente para países da Europa e para o Japão.
Esse diferencial de preço, para grandes volumes de produção, desaparecerá junto com a comprovação da segurança dos alimentos geneticamente modificados, embora deva permanecer para nichos de mercados de alimentos naturais.
Comprovando-se serem prejudiciais à saúde, a agricultura dos países produtores desses alimentos sofrerá um abalo considerável. Nesta situação encontram-se os Estados Unidos e Argentina, dentre outros.
Neste caso, o Brasil poderá assumir a posição de maior fornecedor mundial de alimentos durante muitos anos, caso tenha adquirido a confiança dos mercados, proibindo e fiscalizando a utilização de transgênicos. Essa é uma oportunidade de ouro.
Caso os alimentos transgênicos comprovem ser seguros à saúde, os diferenciais de preços, que hoje estão subindo, diminuirão paulatinamente. Neste caso, chegará um momento em que começaremos a perder mercado devido à menor eficiência econômica dos produtos tradicionais.
Quando isso acontecer, poderemos liberar o uso e num período curto de tempo nos adaptaremos ao uso desta tecnologia, visto que as multinacionais, detentoras das tecnologias, não hesitarão em abastecer um mercado cativo.
Resumindo, liberar agora os transgênicos significa jogar fora uma oportunidade estratégica criada pelo medo dos consumidores em nível mundial. Significa, também, colocar em risco a saúde da população brasileira, caso essa possibilidade, embora remota, de que os transgênicos sejam prejudiciais, seja verdadeira.
Desta forma, resistir às pressões das multinacionais, neste momento, e aproveitar essa oportunidade estratégica para a nação brasileira é de suma importância. Oportunidades como essa não surgem a toda hora. Governar é administrar com competência, principalmente em questões dessa envergadura.
Edison Luiz Leismann é professor da Unioeste-Cascavel, e doutorando em Economia Rural na UFV-MG.

mockup