O milho Bt - material geneticamente modificado - já é uma variedade consolidada nas lavouras brasileiras. Essa tecnologia trouxe muitos ganhos de produção e produtividade por conta de sua resistência a lagartas. Os cientistas, vendo esses bons resultados, foram além e colocaram no mercado a tecnologia Bt para a cultura da soja. A variedade poderá ser encontrada na safra 2011/12 em algumas regiões do País e trará, segundo o entomologista da Embrapa Soja, Daniel Ricardo Sosa Gomez, uma certa tranquilidade para o produtor em termos de controle de pragas.
''A soja geneticamente modificada produz uma toxina que elimina a lagarta, o que garante o controle da praga na lavoura''. Porém, Gomez salienta que os mesmos cuidados com o manejo do milho Bt devem ser repetidos na soja, principalmente no que diz respeito às áreas de refúgio. A prática é orientada não só para prolongar a vida da tecnologia, mas também para não prejudicar a biodiversidade.
Resistência
Insetos resistentes às tecnologias geneticamente modificadas ou a determinados defensivos agrícolas têm sido uma das principais preocupações dos cientistas. Lagartas como a falsa mediadeira, por exemplo, já registraram resistência a inseticidas em algumas regiões dos Estados Unidos. No Brasil, ainda não foram encontrados casos semelhantes, mas cuidados simples como um manejo adequado e a tecnologia Bt podem evitar o problema.
Porém, há casos mais graves, com o registro de resistência, em algum países, ao percevejo marrom. O entomologista da Embrapa revela que esse problema é mais preocupante porque ainda não há uma variedade resistente a esse tipo de percevejo. ''Quando o produtor suspeitar de uma resistência de um inseto, oriento que procure imediatamente a Embrapa'', sublinha. Gomez afirma que uma das poucas soluções para a resolução do problema é a mistura adequada de produtos químicos de diferentes compostos.
Pesticidas à base de organofosfatos, por exemplo, já não surtem efeito no percevejo marrom em algumas regiões do País. Mas, conforme o pesquisador, ''aplicar o defensivo no período certo já é um bom começo''. Um dos erros mais comuns encontrados no combate ao percevejo é a aplicação de inseticidas na entressafra. Por meio dessa ação, o produtor pode fazer uma pressão de seleção de insetos resistentes.
Por esse motivo, afirma Gomez, a aplicação de defensivo deve ser feita em último caso. Muitos produtores, ao verem pequenas desfoliações, já começam a aplicar produtos. ''A soja, por exemplo, tolera um índice de desfolha de até 15%. Por isso, nem sempre é preciso acionar os pulverizadores'', completa. Antonio Pedrini, produtor da região de Maringá, segue a regra à risca. Tudo o que o sojicultor vai fazer para previnir pragas, ele consulta inicialmente os técnicos da cooperativa à qual pertence. Com isso, ele garante uma lavoura sadia e produtiva. (R.M.)

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