Pesquisadores e instituições científicas que estudam os organismos geneticamente modificados (OGMs - também conhecidos como transgênicos) devem se mobilizar para esclarecer a opinião pública sobre os reais riscos e benefícios desses produtos. Essa foi a principal conclusão levantada pelos participantes do 4º Encontro Latino-Americano de Biotecnologia Vegetal (RedBio), realizado em Goiânia (GO) de 5 a 8 deste mês.
A pesquisadora Maria Irene Fernandes, coordenadaora do RedBio, explica que a rejeição dos consumidores aos OGMs se relaciona à falta de informações corretas sobre o assunto. ‘‘As pessoas temem tudo o que é novo’’, disse. Para ela, a transmissão de dados fidedignos também é necessária para derrubar a barreira que alguns mercados impõem aos transgênicos.
A polêmica em torno dos OGMs se baseia no temor de que causem danos à saúde humana e ao meio ambiente. Outra questão discutida é o risco de poucas empresas monopolizarem o mercado de defensivos agrícolas, visto que algumas áreas da biotecnologia pesquisam variedades resistentes a herbicidas.
RiscosDefensora dos transgênicos como alternativa para aumentar a produtividade e a qualidade dos produtos agrícolas, Maria Irene afirma que não existem provas de que os OGMs causem danos à saúde e ao meio ambiente. Críticos dos transgênicos questionam que também não existem comprovações sobre a isenção de riscos. Com relação a essa dúvida, ela afirmou que ‘‘nada no universo é isento de riscos. O que se faz é um cálculo de probabilidades para identificar o que é aconselhável proibir.’’
A cientista comentou que o principal medo das pessoas diz respeito à possibilidade de os OGMs serem tóxicos aos humanos, pois receberam genes tolerantes a herbicidas ou pesticidas.
Com relação ao meio ambiente, o temor se concentra em um possível desenvolvimento de plantas daninhas super-resistentes, caso os produtos sejam utilizados em larga escala. ‘‘Também não há comprovação sobre isso’’, afirmou.
MonopólioAlguns palestrantes do Encontro de Biotecnologia demonstraram preocupação com o risco de monopólio do mercado agrícola por grandes empresas, caso os transgênicos sejam liberados para comercialização, pois esse quadro restringiria a atuação dos pequenos agricultores.‘‘Precisamos investir na pesquisa pública para afastar esse risco’’, afirmou a pesquisadora Maria Helena Zanettini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Outra polêmica diz respeito ao comércio de defensivos. No caso da soja transgênica, por exemplo, o desenvolvimento de uma variedade resistente a um tipo específico de herbicida pode acabar restringindo o mercado dos outros fabricantes, estimulando o monopólio do mercado.
Maria Irene explicou que existem poucas grandes empresas que dominam o processo.‘‘As outras estão entrando no setor com 15 a 20 anos de atraso. Quem começou antes, tem vantagem’’.
Proibição continua Em território nacional, continua a proibição para cultivo de plantas transgênicas para comercialização. O plantio experimental depende de autorização do governo federal.
Nos EUA, já estão sendo testadas plantas transgênicas que fazem um melhor aproveitamento da fotossíntese, que é o mecanismo pelo qual obtêm os alimentos. A inovação, que proporciona ganhos em produtividade, está sendo aplicada ao trigo e ao milho. Os pesquisadores também já conseguiram produzir plantas que florescem mais rápido, como é o caso da citrange, que passa a dar frutos após um ano, em vez de cinco a sete anos, que é o prazo de espera médio para florescimento.
Na área de melhora nutricional, cientistas estão produzindo óleo de canola e de soja com menos ácidos graxos saturados, substâncias que contribuem para agravar problemas cardíacos. No Brasil, um produto que está em teste de campo é o mamão transgênico que demora mais para estragar.

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