Um dos legados deste século para o próximo é a biotecnologia. Nesta, o ponto mais polêmico tem sido nos últimos meses a transgênese, tecnologia que coloca gene de uma espécie de animal ou vegetal em outro ser vivo que originalmente não o possuía. Isto é, transfere características de um ser para outro, como a resistência de uma planta a algum herbicida, doenças ou pragas.
O Brasil, lembra Iwao Miyamoto, presidente da Abrasem, é o terceiro mercado de sementes do mundo, ficando atrás (pela ordem) dos Estados Unidos e China. Empresas multinacionais têm vindo trabalhar nesse mercado. Acompanhando essas empresas, chegam os transgênicos, que entram no País por contrabando, mais por curiosidade de agricultores brasileiros. Eles acabam tendo prejuízo porque a semente, transgênica ou não, que chega dessa forma ilegal, não é selecionada, não tem garantia de qualidade, de produtividade. Acaba saindo mais cara do que lucrativa.
Miyamoto considera a transgênese ‘‘apenas a ponta do iceberg’’ que é o conjunto de possibilidades da biotecnologia; ‘‘do avanço que virᒒ. Ele afirma que a transgênese ‘‘veio para ficar’’ e que os sementeiros nacionais estão preparados para produzir. A produção de transgênicos no Brasil está proibida e, ressalva, a Abrasem ‘‘só cuida da semente aprovada pela Ciência, pelo Governo e pela Lei. Se o Governo autorizar a produzir, na devida época nós produziremos.’’
Semente legal, selecionada, existe para atender a nova safra. Se todos os interessados plantassem, faltaria alguma coisa, mas, como muitos agricultores ainda guardam grãos nos paióis para o próixmo plantio, as boas sementes estão disponíveis para atender a realização do sonho do Governo, que sempre falou na meta de 100 milhões de toneladas de grãos/safra. Por usarem mais sementes de boa qualidade, Paraná e São Paulo têm maiores produtividades que Santa Catarina e Rio Grande do Sul, diz Miyamoto. Paraná, São Paulo e Mato Grosso plantam apenas 5% de sementes ‘‘de paiol’’; RS planta 60% de sementes de paiol; Santa Catarina, 40%. Por usarem sementes fiscalizadas – afirma o presidente da Abrasem –, PR e SP colhem 50 sacas de soja por hectare e RS colhe 25 sacas/ha.(J.O.)

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