Transgênese contra a fome
O cultivo de plantas transgênicas pode ser um dos caminhos para alimentar, sem afetar o meio ambiente, os quatro ou cinco bilhões de pessoas a mais que haverá no mundo nos próximos 50 anos, afirma o Banco Mundial, apoiado por empresas agroalimentares norte-americanas.
Sem as novas técnicas agrícolas, que precisam de pouca água, terra, adubos e pesticidas, seriam necessários 300 milhões de hectares para alimentar, em produção constante, os 10 bilhões de pessoas que habitarão o Planeta em 2050, assegurou o egípcio Ismail Serageldinne, vice-presidente do banco.ento constante.
Com seis bilhões de habitantes, a Terra abriga 800 milhões de pessoas que passam fome e são desnutridas atualmente. Setenta por cento da superpopulação estarão nos países em desenvolvimento, muitos dos quais já sofrem de desertificações e erosões excessivas, que alteram seu meio ambiente.
Bob Shapiro, presidente do grupo Monsanto, pioneiro das biotecnologias, calculou que uma tonelada de soja convencional cultivada hoje no Brasil representa a perda do equivalente a cinco hectares de terra arável.
As plantas transgênicas são organismos geneticamente modificados (OGM) que receberam vários genes para resistir aos insetos ou tolerar herbicidas pulverizados ao seu redor para eliminar as pragas e ervas daninhas.
A estas vantagens agronômicas se juntarão depois os genes de qualidade, que permitem o aumento das taxas de proteínas nos cereais e oleaginosas, a redução das taxas de gorduras saturadas nos óleos vegetais ou a melhora do sabor de frutas e hortaliças.
A pesquisa se interessa também pelas aplicações industriais com a substituição dos plásticos de origem petroleira por um polímero vegetal.
Nos Estados Unidos, o consenso está solidamente estabelecido entre os principais atores da cadeia agroalimentar sobre a inocuidade das biotecnologias para a saúde humana e o meio ambiente. Ao contrário, na Europa, o debate é mais disseminado.





