A maioria dos 143 agricultores que fazem parte da microbacia do Rio do Campo aprovou os trabalhos na área. Esse é um dos segredos do sucesso da microbacia. O produtor Valdemir Cremonese, 35, por exemplo, nem pensa mais em abandonar o uso do baculovírus no combate à lagarta-da-soja em sua fazenda de 120 alqueires. ‘‘O sistema é barato, eficiente e menos trabalhoso’’, diz.
Cremonese conta que desde que adotou o baculovirus, há cinco anos, reduziu o número de aplicações de inseticidas. ‘‘Antes eram três ou quatro, agora é uma só’’, explica.
Outro produtor, Ademir Braz Martins, 35, dono de um sítio de 18 alqueires, adota o sistema há mais de 10 anos. ‘‘Funciona mesmo’’, diz. A princípio, ele mesmo preparava o baculovirus em casa, mantendo as lagartas congeladas. Hoje, Martins compra o produto em pó.
‘‘Não temos mais lagartas suficientes para fazer o baculovirus em casa’’, conta. ‘‘No início, chegávamos a pagar uns meninos para recolher as lagartas em vidros de maionese’’. Para o agrônomo Roberto Carlos Guimarães, da Emater, a redução das lagartas safra após safra é outro resultado do manejo integrado de pragas.
Já o técnico agrícola Laírton de Gouveia, da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), diz que chegou a ter receio de recomendar produtos biológicos para os cooperados da microbacia. ‘‘O tempo para as visitas era curto e os monitoramentos tinham que ser frequentes’’, explica. O problema foi resolvido com um trabalho que passou a ser desenvolvido por 15 alunos do Colégio Agrícola de Campo Mourão: toda semana os alunos visitam 64 propriedades e colhem amostras em 166 pontos. Os resultados são repassados à Coamo e às quatro principais empresas de assistência técnica de Campo Mourão. ‘‘Assim, essas empresas fazem acompanhamento permanente da situação da lavoura de seus clientes’’, diz o técnico agrícola Elson Buaski, que trabalha no laboratório de vespinhas e preside a Associação de Moradores da Microbacia (Riocam).
No início do mês, Buaski foi a Curitiba buscar o prêmio ‘‘Paraná Ambiental’’, ganho pela Riocam na categoria Proteção de Recursos Hídricos, graças ao trabalho realizado na microbacia. E o trabalho de conscientização ambiental não pára. Na semana que vem, o agricultor Angelino Gerônimo Ribeiro, 34, começa a fazer o plantio da mata ciliar às margens do Rio do Campo. ‘‘Quero estar dentro da lei’’, afirma ele, que comprou recentemente uma chácara com cinco alqueires ainda carentes da mata ao longo do rio. (S.S.)

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