Mais leiteFazenda está vendendo animais, para comprar vacas mais produtivas e ampliar produção em mais mil litros diários‘‘Hoje apenas 25% da população do Brasil estão na zona rural. Acredita-se que no ano 2010 apenas 12% deste contingente estarão no campo. Isto quer dizer que de cada dois, um vai cair fora do sistema produtivo. Só ficará o mais eficiente’’. A análise é do veterinário e diretor técnico da Fazenda Antares, Guilherme Kniebel. A Fazenda, localizada na área rural de Londrina, desenvolve há dois anos, em conjunto com a Emater, projeto-piloto de qualidade total na agricultura. A exemplo das indústrias e das empresas do setor de comércio e serviços as propriedades rurais podem ter o seu programa de qualidade, afirma Ademir Antonio Rodrigues, chefe da Emater Regional de Londrina.
Os primeiros resultados da Fazenda Antares, afirma Rodrigues, já são visíveis. Os custos de produção foram reduzidos, as relações trabalhistas melhoradas, os trabalhadores que moram dentro da fazenda cultivam sua horta, melhorando a alimentação da família e o lixo é reciclado.
MudançasRodrigues afirma que projetos semelhantes podem ser implantados em qualquer propriedade, independente do tamanho e da atividade. ‘‘O processo é viável desde que o dono esteja disposto a fazê-lo e haja envolvimento total dos empregados. ‘‘Não se faz programa de qualidade sem os empregados’’. Produtor e empregado devem saber que o programa de qualidade total é um processo sem volta e que muitas vezes implica em mudanças radicais no seu processo de produção.

Dorico da SilvaKniebel mostra a granja de poedeiras que será ampliada de 12 mil para 17 mil aves‘‘Não queremos mais trabalhar pela média’’, afirma Kniebel. Ele conta que a implantação do projeto partiu dos donos da propriedade, Clodoaldo Viggiani e Filhos, com a Emater local de Londrina. ‘‘Era preciso procurar formas de diminuir custos, sem cair em qualidade e tornar os produtos da fazenda mais competitivos no mercado.’’ De início foi feito diagnóstico da propriedade. A fazenda tem sete atividades e foram escolhidas áreas consideradas mais fáceis de padronização e com menor número de funcionários, facilitando o treinamento inicial.
Uma das primeiras mudanças ocorreu no confinamento. Havia demora na reposição de animais que saíam para abate, por exemplo. Na avicultura de corte houve melhoria nos índices de conversão alimentar e taxa de mortalidade. Na avicultura de postura foi implantada uma chefia para cada barracão, o que facilitou avaliar perdas de ovos quebrados, trincados entre outros dados técnicos.
O trabalho na fazenda passou pelo setor de máquinas e lavouras e está chegando ao rebanho leiteiro com a ampliação da produção leiteira de dois mil litros diários para três mil, com a construção de mais um módulo de tie stall, onde os animais ficam amarrados pelo pescoço num sistema de confinamento total e só saem para a ordenha.
Junto com a implantação do programa de qualidade total, garantem Kniebel e Rodrigues, foram iniciadas melhorias nas casas dos funcionários, que têm também uma associação. São 25 empregados fixos. Há ainda um jornalzinho informativo, fixado nas instalações, que traz notícias sobre o que cada setor da propriedade está fazendo. O projeto engloba também hortas e pomares nas casas, melhorando a qualidade de vida dos funcionários, além do incentivo a criação de peixes numa lagoa da propriedade e a reciclagem do lixo.
A Fazenda Antares tem ainda como cultivo campos de coast-cross para feno, alfafa e área de plantio de milho no verão e aveia no inverno. São 157 hectares (ha) no total, sendo 77 ha de agricultura, 29 ha de pasto para gado de corte e confinamento para 100 animais. Há barracão para 20 mil frangos e outros para 12 mil galinhas. O rebanho de gado de leite holandês soma 200 cabeças, sendo 72 em lactação e será ampliado para 108, com média de produção de 27 litros de leite/dia. A área de pasto é de 19 hectares para o gado de leite, destinado a recria de novilhas e vacas. Dez famílias moram na fazenda. Até o final do ano os investimentos com o programa de qualidade deverão somar R$ 120 mil, gastos ao longo dos dois anos de funcionamento projeto. Segundo Kniebel, durante este período de investimentos, o dono não fez nenhuma retirada de dinheiro da propriedade. Para pequenos produtores, que dependem apenas de uma propriedade para sobrevivência, na opinião de Kniebel, a implantação de um programa de qualidade teria que depender de linhas de crédito com médio e longo prazo para que o produtor possa ter recursos. ‘‘Numa economia estável a juros previamente combinados daria certo.’’

mockup