Ao longo desses 60 anos de história do Instituto Emater, não faltam cases de sucesso de transformação de produtores e até regiões inteiras. Não importa o setor produtivo ou atividade, as ações da instituição foram capazes de colocar a agricultura familiar em novo patamar, em diversos aspectos. De fato, um pequeno ou médio produtor amparado por uma assistência técnica e extensão rural de qualidade pode ver sua família transformada, permanecendo firme no campo apesar de todas as adversidades.

Um bom relacionamento - de troca de experiências e informações - entre o extensionista e os produtores faz toda a diferença para o êxito na atividade. No município de Primeiro de Maio, por exemplo, um ótimo trabalho tem sido realizado entre a unidade local da Emater e os produtores de tomate e outras olerícolas.

Há mais de 25 anos existe a Associação de Plantadores de Tomate de Primeiro de Maio (Aptoprim), mas a partir de 2006 ela sofreu um "boom" produtivo e de qualidade. Isso ocorreu quando o Banco do Brasil (BB) procurou a Emater e foi desenvolvido um Diagnóstico Rural Sustentável (DRS) na região, o que gerou uma facilidade para liberação de crédito aos produtores. "Com essa parceria, os produtores começaram a ter mais acesso a recursos de custeio e investimento na produção, por meio de financiamentos. Isso fez com que eles melhorassem suas lavouras, adquirissem máquinas, equipamentos e colocassem a atividade em outro patamar", explica o extensionista da Emater na cidade, Juvaldir Olímpio.

Em 10 anos, a associação conseguiu fazer um barracão de 400 metros quadrados, e mais de R$ 140 mil foram captados para máquinas e implementos. Dias de campo direcionados aos produtores de tomate também estão sendo realizados, melhorando a produção e o nível tecnológico de toda a região. Hoje são 48 olericultores, com uma produção de aproximadamente 2,76 mil toneladas por safra. "No pico de produção, entre o outono e inverno, a associação chega a levar nove mil caixas por semana para a Ceasa Londrina. Toda a parte de custeio das lavouras dos produtores somos nós que fazemos. Hoje, se não tivéssemos essa ligação, eles estariam produzindo, mas com sérios problemas em relação a fomento de recursos", comenta Olímpio.

O extensionista brinca ainda que este é "um casamento que deu certo", inclusive, com uma Aliança Tecnológica que inclui empresas privadas, cooperativas e instituições financeiras que dão um atendimento tecnificado aos produtores. "Nosso grande objetivo agora é buscar novos mercados, já que vendemos praticamente 100% da nossa produção na Ceasa. Queremos fazer a classificação do tomate para agregar mais valor e ampliar os locais de comercialização".

Um exemplo que o trabalho deu certo são os produtores Fernando Alves de Campos e, seu pai, Dirceu Alves de Campos, que trabalham como sócios numa área de dois alqueires, produzindo em torno de 12 mil caixas por safra. Quem os assiste é o próprio Juvaldir, que agora realiza Dias de Campo na propriedade. "Neste período de dez anos, captamos em torno de R$ 250 mil em financiamento e compramos trator, plantadeira, caminhão e pulverizador, o que tem melhorado nossa produção ano após ano", explica Fernando, que se formou em administração de empresas em Londrina, mas preferiu voltar para a propriedade e continuar o trabalho iniciado pelo pai.

Ele relata que o relacionamento com a Emater, com um acompanhamento semanal, faz toda a diferença para o sistema produtivo. "Cada ano temos nossas dificuldades e desafios na lavoura, com problemas de doença, clima, novos tipos de adubação... A troca de conhecimento e informações com o Juvaldir faz toda a diferença. Agora, graças ao trabalho da Emater, nossa propriedade se tornou modelo para outros produtores, que vêm aqui em Dias de Campo para conhecer as tecnologias implementadas. Inclusive, já visitamos diversas outras cidades para adquirir outras técnicas de manejo", finaliza o rapaz. (V.L.)

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