Imagem ilustrativa da imagem Trabalho em conjunto é fundamental para mudar cenário



O extensionista da Emater em Santa Isabel do Ivaí, Ricardo Domingues, também está ligado ao projeto da Seab e fala sobre o potencial do abacaxi para os produtores. Segundo ele, a produção atual do Estado abastece apenas 5% da demanda das Centrais de Abastecimento (Ceasa), que trazem o restante do volume de estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraíba.

Na concepção de Domingues, existem alguns entraves que não ajudam a cultura a deslanchar em solo paranaense, como o custo alto de implantação devido às mudas e a falta de mão de obra, já que mais de 50% da atividade é manual. "Outro gargalo é a necessidade de tecnologia de ponta para produzir frutos de qualidade, com insumos modernos, adubação pesada e controle severo de pragas e doenças".

Apesar de alguns entraves, o extensionista não tem dúvidas de que a cultura pode ser explorada pela agricultura familiar, com financiamentos a juros baixos. Entretanto, para que de fato o retorno seja interessante, os produtores precisam se organizar. "Como os produtores da região não trabalham unidos, tem muita gente 'picareteando' o preço. É aí que o projeto precisa atuar".

A opinião é compartilhada pelo produtor Edmilson Marcoff, também de Santa Isabel do Ivaí. Na sua área de 12 alqueires, quatro deles são dedicados ao abacaxi. Há oito anos, ele iniciou com apenas um alqueire, mas o bom retorno fez com que continuasse a apostar na atividade safra a safra. Para cada alqueire, são 70 mil pés, totalizando 280 mil pés no total.

Nas contas do fruticultor, o custo por alqueire gira em torno R$ 45 mil. Se cada abacaxi atingir 1,4 quilo, serão 98 toneladas por alqueire, podendo atingir um faturamento bruto de R$ 127,4 mil (R$ 1,30 o quilo). "O retorno é interessante, mas é claro que na safra o preço acaba caindo. A grande dificuldade é que, como não estamos organizados, cada um tem de se virar para vender, acontece uma briga de mercado e os preços despencam. A fruta vai madurando, o produtor se apavora e vai diminuindo o preço dia a dia. Se todos tivessem trabalhando juntos, não precisaria disso, afinal, a demanda existe e é grande".

A união dos fruticultores, na opinião de Marcoff, ajudaria inclusive no momento de comercializar na Ceasa, que criaria um vínculo interessante com os produtores, se a área, de fato, fosse grande. "A cadeia precisa ser organizada e com a produção escalonada o ano todo. Assim, não seria necessário os atacadistas buscarem em outros estados. Já tivemos a primeira reunião no início de julho e a maioria acha que essa união dos produtores será muito válido para a cadeia"

Outro ponto, sem dúvida, que dificulta a vida do fruticultor é a falta de mão de obra. "Existem alguns tratos culturais que poucos produtores fazem, como colocar jornal para cobrir o fruto e a capina correta da lavoura. Para esse tipo de atividade, é preciso de trabalhadores especializados", lamenta Marcoff. (V.L.)

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