Se o Brasil é hoje um grande produtor agropecuário deve parte desse mérito à atuação do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas (SP). Desde sua fundação, atua na geração e disponibilização de tecnologias para melhorar, principalmente, a produtividade do solo brasileiro. E neste mês, quando completa 123 anos, comemora o desenvolvimento de projetos e pesquisas inovadoras para o segmento e a continuação dos trabalhos que deram origem ao instituto: a análise de solos e plantas.
O pesquisador do Centro de Solos e Recursos Ambientais, José Antônio Quaggio, lembra que o IAC foi a primeira instituição a realizar esse tipo de análise no Brasil. O primeiro relatório saiu em 1889 e tudo começou por conta da baixa produtividade do café. ''Plantava-se o café e em três anos a produtividade começava a cair. Na época, Dom Pedro II fundou o instituto para que esse problema fosse estudado e resolvido'', comenta Quaggio.
De lá para cá foram décadas de estudos e muitos métodos foram criados e aplicados nos solos brasileiros: calagem, baseado na saturação por bases, a extração com resina de troca de íons e a definição, mais recentemente, dos métodos de análise de micronutrientes em solos. Quaggio destaca que o método de troca de íons é um dos mais importantes do instituto porque tem sido muito útil para o Brasil romper as barreiras de produção. ''O metódo se aproxima muito da realidade do solo'', reforça o pesquisador.
Ele frisa que atualmente se produz em solos muito pobres em nutrientes, o que sempre havia sido um problema para o País já que 70% do solo brasileiro é de baixíssima qualidade. Por sua vez, Quaggio destacou que uma das regiões onde o solo é mais rico e fértil é o do norte paranaense.
Além das pesquisas, o laboratório de análise de solo do IAC conta com modernos equipamentos para a prestação de serviço aos agricultores e coordena também o Programa de Controle de Qualidade de Laboratórios para mais de 70 laboratórios que utilizam seus métodos de análise no Brasil.
Fora as pesquisas em análise de solo, o IAC mantém ativa a busca por opções para o agronegócio. Mantém o trabalho de melhoramento genético convencional, além apostar nos estudos de genoma. Algumas pesquisas ultrapassam as fronteiras brasileiras. Variedades de cana-de-açúcar, por exemplo, contribuem para destacar o estado de São Paulo como um dos principais produtores do mundo e estão chegando a países como México e Angola. Na área de citrus, o instituto tem parcerias com Flórida e Califórnia, nos Estados Unidos, com foco em genoma, greening e melhoramento genético.
E novos projetos para viabilizar formas alternativas de se produzir etanol tem se destacado. Um deles é de desenvolvimento de uma variedade de pinhão-manso em parceria com a Petrobrás. O IAC tem trabalhado com espécies mais selvagens, buscando uniformidade de produção: plantio, colheita e transformação. No Centro de Desenvolvimento de Recursos Genéticos, pesquisadores têm atuado no sentido de produzir uma semente que garanta a qualidade de todo o processo.
Fundado em 1887, o IAC soma 600 projetos de pesquisa em desenvolvimento e 800 variedades desenvolvidas de 66 espécies. O instituto reune atualmente 10% das tecnologias sociais brasileiras na área agropecuária em todo o Brasil.
* A jornalista viajou a Campinas a convite da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef)

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