O trabalho de melhoramento dos animais já mostrou a capacidade de desempenho do caracu nas condições brasileirasVários institutos de pesquisa públicos e privados têm utilizado os animais da raça caracu em seus trabalhos de melhoramento e cruzamentos, em busca do desenvolvimento de uma pecuária mais avançada no País. Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC), Lício Isfer, a caracu é a raça que tem melhor suporte tecnológico, comparativamente a outras raças européias, e o mais importante, é que este desenvolvimento tem por base as condições brasileiras.
‘‘Esperamos para os próximos 20 anos uma revolução na pecuária brasileira, como aconteceu com o frango, e a raça caracu vai ter um papel fundamental neste processo’’, diz Isfer. Na busca de um rendimento melhor, o criador comenta que o cruzamento do caracu com nelore tem alcançado bons índices.
PesquisaHá quase 20 anos a ABCC mantém convênio com o Instituto de Zootecnia de São Paulo, em Sertãozinho. Através deste trabalho, os criadores encaminham dois ou três animais selecionados em suas propriedades, com idade de 8 a 9 meses, para ficarem durante seis meses sendo mantidos com uma alimentação especial, para se observar seu ganho de peso. ‘‘A tecnologia utilizada é adaptada às condições das regiões brasileiras, diferentes de outros trabalhos de melhoramento desenvolvidos com outras raças fora do País’’, explica Isfer. Os animais que mais se destacarem formarão a chamada ‘‘elite’’, e serão os futuros reprodutores, para transmitir suas características genéticas para seus descendentes.
Segundo Lício Isfer, a ABCC contratou há dois anos um programa de melhoramento junto ao Setor de Genética da USP, em Ribeirão Preto. ‘‘Lá os animais têm controle de peso ao nascer, aos 120 dias, na época da desmama, aos 12 meses e aos 18 meses. O objetivo é avaliar o desempenho da raça’’.
Mário CesarLício Isfer destaca a raça caracu como aquela que ‘‘melhor responde em condições de clima quente e agreste’’
Isfer cita também o trabalho desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Ponta Grossa há mais de 15 anos, pesquisando o cruzamento do caracu com outras raças, e a resistência ao carrapato, entre outras características. Outras instituições, privadas ou públicas, fazem o mesmo trabalho. A Embrapa Gado de Corte, sediada em Campo Grande (MS), estuda o resultado da raça no cruzamento com o nelore. Já a empresa Yakult tem trabalhado com o caracu, selecionando bezerros de elite que ficam 8 meses no centro de pesquisa, para avaliação. O objetivo é a coleta de sêmen dos melhores reprodutores da raça, para posterior redistribuição aos criadores.
Puro com puro‘‘Os animais cruzados são hoje a grande tendência na pecuária em todo o mundo, em busca de maior rentabilidade num tempo cada vez mais curto’’, diz Lício Isfer. No caso do Brasil, onde a predominância do rebanho é o nelore, o criador defende o caracu como a melhor opção para cruzamento com fins de produção de carne. A destinação do macho resultado deste cruzamento é o abate, e as fêmeas são normalmente utilizadas para pesquisas com outras raças.
Segundo Isfer, o cruzamento entre duas raças puras oferece melhor resultado, do que o cruzamento entre compostos, porque a heterose será muito maior.‘‘Não vemos necessidade, por exemplo, em utilizar o caracu para cruzamento, visando a formação de uma nova raça com promessa de ganhos extraordinários. Nós já temos a raça com características para atender às necessidades da pecuária em regiões quentes e agrestes como o Mato Grosso do Sul ou nos cerrados’’, finaliza o criador.

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