Trabalhador rural busca mais que bons salários
Não são apenas os salários muitas vezes mais altos das cidades que atraem as famílias para o meio urbano. Existem casos de trabalhadores rurais capacitados que ganhariam boas remunerações nas propriedades que mesmo assim preferem uma mudança de vida. A justificativa está na comodidade que a cidade oferece para alguns aspectos do dia a dia, que no meio rural ainda são esquecidos pelo poder público.
O instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e produtor de leite, café e gado na cidade de Cornélio Procópio, Cristiano Leite Ribeiro, confirma esse movimento. Ele comenta que muitos dos seus alunos e empregados deixaram o campo devido a situações simples da rotina, como o atraso do ônibus para levar as crianças para a escola, as estradas ruins e outros confortos básicos que são negligenciados. "Aqui em Cornélio, por meio do Sindicato Rural e da prefeitura, conquistamos a coleta de lixo para o meio rural, por exemplo. São mudanças simples, que podem fazer toda a diferença para que uma família permaneça trabalhando no campo", salienta o produtor.
Não é difícil, segundo Ribeiro, encontrar trabalhadores rurais trocando o campo pela construção civil em cidades próximas, confirmando o aquecimento do setor. "Eles preferem ganhar um pouco menos e dar melhores condições para a família. Não que isso signifique uma melhora na qualidade de vida, mas sim de facilidade para a esposa e os filhos."
Permanecer no meio rural está diretamente ligado à capacitação, o que é natural para diversos profissionais, independentemente da área. O trabalhador que se especializar em cursos como tratorista ou condutor de outras máquinas modernas ligadas à colheita de soja, café e outros implementos têm grandes chances de conquistar bons salários e permanecer no campo ou até mesmo se descolar da cidade para a área rural durante o horário de trabalho. "Tenho funcionários que fazem isso, já que minha propriedade é próxima da cidade. Eles optaram em morar na área urbana, mas estão satisfeitos com a remuneração que o campo oferece."
Para promover esse movimento inverso, Ribeiro aponta algumas estratégias que devem ser analisadas pelos produtores rurais: valorização da mão de obra com o pagamento de salários justos, investimento em capacitação e também em melhorias estruturais para uma vida mais confortável no campo. "Vejo o movimento da urbanização como inevitável, o que temos que fazer é retardar esse cenário, fazendo com que um trabalhador rural esteja capacitado para executar diversas funções, operando máquinas com eficiência, atenuando, assim, a questão da falta de mão de obra no campo", opina. (V.L.)





