Toxinas alteram reprodução animal
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de maio de 1998
Cláudia Barberato 
Com as margens de lucratividade cada vez menores na produção de leite, carne de boi, frango, suínos e ovos, os produtores estão procurando cercar os problemas da criação de todas as maneiras. Os que tinham grandes problemas nos rebanhos como baixa produtividade, falta de alimentos e doenças oportunistas nos animais, se não sanearam a atividade já saíram do mercado.
Os produtores que trabalham de maneira mais organizada, hoje, procuram o chamado ajuste fino na área de produção. Ou seja, detectar fatores com alguma responsabilidade econômica que prejudicam a produção. Um dos problemas que começam a tomar proporções nas criações de bovinos, suínos e aves, é a presença das toxinas em grãos que servem para a alimentação dos animais.
Morte rápidaNo caso de suínos e aves a situação é considerada mais grave pelos técnicos, porque ocasiona morte rápida, abortos ou deformações nas crias, quando esses animais se alimentam de grãos contaminados pelas toxinas. Os bovinos ainda se mostram mais resistentes. Até porque não há registro oficial de que os níveis de toxinas na silagem (feita do grão do milho) ou no farelo de soja, que serve para a ração dos animais, sejam alarmantes.
Acredita-se também que as toxinas afetam a qualidade do trigo e até da bebida do café. O problema já ocorreu também com criação de coelhos. O fungo que libera toxinas (existem vários tipos), está na natureza.
DesconhecimentoSegundo o engenheiro químico Hugo Wizenberg, da Estelar Comércio, empresa que está comercializando um produto chamado microton, que inativa as toxinas e recupera qualidade dos grãos, essas toxinas podem ser ativadas de diversas maneiras. Muitos produtores, segundo ele, não estão alertados sobre o problema ou não assumem a presença dele na propriedade.
NaturalWizenberg diz que existem produtos químicos que impedem a proliferação dos fungos. Mas garantiu que o produto desenvolvido por sua empresa, além de ser natural, reverte a ação do fungo e recupera a qualidade dos grãos.
O produto é um mineral (alumínio-silicate de magnésio, montemorebonita, que é modificado com outra rocha zeólita, sais de potássio e compostos nitrogenados), atóxico e sem resíduo, garantem os fabricantes. Existe uma composição para atacar cada tipo de micotoxina que só é usada quando há garantia 80% de eficiência ou eliminação do problema.
O problema das toxinas, revelou o químico em palestra para produtores de leite no último dia 23, em Londrina, pode começar na lavoura, pelo mal manejo durante o cultivo, na hora da colheita ou na armazenagem. A falta de higiene dos cochos também pode ajudar na proliferação. Da colheita do grão até a chegada no cocho para alimentar os animais vem aumentando o problema das toxinas.
Clima favoreceO técnico explica que o o desequilíbrio climático favorece o ataque do fungo e a liberação das toxinas. Chuvas, alta umidade e calor são propícios. A colheita do milho de verão deste ano foi feita sob essas condições. Wizenberg alerta que se o produtor fizer o plantio correto e adubação, com orientação técnica de um agrônomo, terá uma planta imune. Depois é preciso cuidado na estocagem dos grãos.
Em busca de aumento da produtividade muitos produtores têm esquecido cuidados básicos de manejo. A deficiência de água e mineralógica também colaboram para o aparecimento do fungo. Wizenberg fala da estocagem dos grãos, especialmente naquelas propriedades onde se faz a ração: O fungo pode proliferar-se na armazenagem. Se passar muito tempo é possível ver os furos pretos nos grãos do milho, ou o famoso caruncho. Neste estágio o grão está oco por dentro. O fungo comeu toda a parte protéica.
Controle no campoSe o produtor de milho também faz a ração, tem que ir na lavoura, tirar amostra, analisar se existe o fungo e em que quantidade. Em casos em que depois da colheita o milho ainda fica algum tempo no campo, com umidade e temperatura elevada, pode ocorrer fermentação e, consequentemente, ataque do fungo e liberação de toxina.
Hoje, disse Wizenberg, sabe-se de várias micotoxinas preocupantes: aflatoxina, toxinas de fusarium, zearalenona, ocratoxina, patulina, entre outras. Duas toxinas, a vomitoxina (DON) e a zearalenona ou zea, são observadas, segundo o químico, em níveis acima do normal no milho. A preocupação, garantiu Wizenberg, é que o produto atue em todos os estágios do grão; na colheita, armazenagem, estocado em silagem ou quando o problema é imediato, está na ração. O químico garante que se pode recuperar os grãos contaminados.
Valor agregadoDe acordo com Wizenberg o estudo das toxinas e controle está sendo feito no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, num trabalho conjunto com instituições de pesquisa, cooperativas e produtores. Ao alertar os produtores, diz, procura-se provar que um animal que tinha problemas, após eliminadas as toxinas do alimento, ganha peso e se reorganiza na parte reprodutiva.
Há resistência dos produtores em admitir o problema. Mas eles têm que pensar que tratando vão poder eliminar o problema e ter maior valor agregado aos seus produtos. A FAO diz que 25% dos grãos do Mundo estão contaminados. A correção do problema e depois a prevenção, baixa o custo em todos os segmentos e não seria necessário usar produtos como fungicidas, inseticidas e outros.


