Reprodutores para trabalhar na vacada nelore criada no Brasil Central. Este é o objetivo dos criadores da raça charolesa. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Charolês (ABCC), com sede em Santa Maria (RS), André Corrêa Berta, a região do Centro-Oeste tem hoje defasagem de 1,5 milhão de reprodutores e há espaço para diversas raças européias no fornecimento de touros, para usar no cruzamento industrial com o nelore. ‘‘O charolês é uma boa opção,’’ defende.
Berta esteve em Londrina para a Mostra Nacional da Raça Charolesa, nos dias 12 e 13 deste mês, no Parque de Exposições Governador Ney Braga. A mostra teve o que Berta chama de pré-venda, venda e pós-venda, com eventos técnicos, dia-de-campo, leilões e palestras.
De acordo com o presidente da entidade, o objetivo é fazer eventos semelhantes, ainda este ano, num retorno da entidade à praça de Londrina, que já foi usada para divulgar a raça no Paraná: ‘‘Londrina tem uma localização estratégica em termos de mercado.’’
Volta à praçaEm 1987 a associação de criadores iniciou a comercialização de charolês em Londrina e região, organizando eventos para divulgação da raça, inclusive na exposição agropecuária. ‘‘A aceitação foi boa e resultou na formação, mais tarde, do núcleo de criadores do Norte do Paraná, com sede em Apucarana’’.
De lá para cá, conta Berta, novos mercados no Brasil foram sendo buscados, através de eventos técnicos/comerciais. ‘‘Houve a preocupação de não só vender animais em leilões, mas mostrar, através de palestras ou visitas técnicas, o potencial da raça. Provar o que o charolês pode agregar, mostrando o que é possível fazer no cruzamento com o nelore, produzindo animais rústicos e também reprodutores e matrizes’’, garante Berta.
O retorno a Londrina para novos eventos técnicos e comerciais, explica o presidente da ABCC, deu-se ‘‘porque a cidade é considerada porta de entrada do Brasil Central para as raças européias’’. Segundo ele, ainda este ano novos eventos deverão ser programados para Londrina. ‘‘No ano que vem deveremos fazer um total de cinco ou seis eventos.
Ganho de pesoSegundo Berta, a associação desenvolve um trabalho de aprimoramento da raça através de provas anuais de ganho de peso. As provas são realizadas no Rio Grande do Sul, pela Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro).
‘‘Os resultados de vários anos de desenvolvimento desta testagem têm demonstrado uma evolução positiva nos ganhos de pesos diários dos tourinhos charolês. Na comparação com outras raças de corte, o desempenho do charolês é o seguinte: 12,13% mais que santa gertrudis, 17,40% mais que devon, 18,16% mais que hereford, 20,77% que braford e 26,80% que aberdeen angus.’’
Nestes testes são avaliados anualmente uma média de 40 touros, com idades entre 8 e 9 meses, mantidos em condições iguais a campo por um período de 240-260 dias. Além do ganho de peso é avaliada a herdabilidade em ganho de peso que estes produtores poderão imprimir nos filhos.
No confinamento é avaliada a capacidade de conversão alimentar e genética dos animais testados. Em certos grupos, segundo Berta, os animais confinados chegam a ganhar de 1800 quilo até 2 quilos por dia. A campo, as médias de ganho de peso têm ficado em 1100 quilo.
Como usarPara fazer o que Berta chama de pós-venda a associação elaborou também um Manual de Manejo de Touros. ‘‘Nele o produtor encontrará dicas e regrinhas para usar os animais da raça, além dos resultados das provas de ganho de peso a campo’’, explica.
Para a mostra que se realizou na semana passada em Londrina, foram trazidos 150 animais de 13 criatórios do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Estados que somam o maior rebanho da raça no Brasil. ‘‘Os animais foram todos escolhidos pelo mesmo técnico, credenciado da associação, para mantermos um padrão de qualidade e genética da raça.’’
De acordo com Berta, além dos três Estados do Sul, o charolês está presente em todo o País com núcleos de criadores em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.
‘‘Embora, na sua origem, o charolês seja uma raça aclimatada para o frio, no Brasil foi selecionada para viver no calor, principalmente nas condições do Brasil Central que hoje é o mercado consumidor de reprodutores’’, garante Berta.
Ele avalia que ao longo da seleção da raça no Brasil (está no País há mais de 100 anos) conseguiram-se animais mais adaptados ao calor e de pelagem mais curta, resistentes aos parasitas. ‘‘Houve também redução de prepúcio, para enfrentar o trabalho de monta nas pastagens brasileiras, entre outras características melhoradoras’’.
A seleção de ganho de peso, hoje, afirma Berta, é feita sem descuidar das características genéticas da raça e da rusticidade, para trabalhar em clima tropical. ‘‘A campo os animais têm chegado à idade de abate por volta dos 18 a 20 meses, com peso de 480 quilos. No confinamento a idade é reduzida para 14 ou 15 meses, também com 16 arrobas. Agora se quer fazer o animal superprecoce, com peso para abate já aos 12 meses, aliando genética e alimentação na tecnologia de terminação mais rápida. O objetivo dos criadores é agradar o mercado final da carne, que é o consumidor, e se atentar para a qualidade da carne no cruzamento.’’
LeilõesA mostra da raça realizada em Londrina, além de palestras sobre produção do novilho precoce, classificação de carne e dia-de-campo para mostrar a prática da criação, teve venda de animais em dois leilões.
O leilão Precocidade Charolês, realizado na sexta-feira, dia 12, comercializou 918 animais, num total de R$266.310,00 e uma média de R$290,10. O resultado da comercialização agradou o presidente da ABCC, André Berta: ‘‘O clima de incerteza não afeta o criador que tem que repor seu animal.’’
O lote de maior cotação foi de Orlando José Wujastyk. Ele vendeu 34 animais, por R$11.628,00, para a Fazenda Lagoa da Varanda. O maior vendedor do leilão foi Germano Farina Alves/Daniela Amaral Alves, num total de R$90.435,00. O maior comprador foi Carlos Henrique P. Fadel, que gastou R$36.175,00.
O leilão de rústicos, que aconteceu no sábado, 13, teve oferta de 138 animais, com venda total de R$209.460,00 e uma média de R$1.517,83, por cabeça. O lote de maior cotação, vendido pelo Condomínio Agropecuária Estância da Figueira, foi comprado por Irineu Zago, que desembolsou R$5.040,00. Zago foi também o maior comprador do leilão, gastando R$23.040,00.

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