Tortas do biodiesel viram alimento para gado
Os detritos resultantes da moagem de grãos para produção do biodiesel estão sendo avaliados para o consumo do gado de corte pelo Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O passivo ambiental gerado pelo esmagamento de sementes de girassol pela indústria de bioenergia está recebendo investimentos governamentais para sua correta destinação. A UEL sai na frente ao anunciar que 75% da torta de girassol pode substituir a ração diária do gado. Já com os pesquisadores da UEL se voltam agora para avaliar a carcaça do animal, analisando a qualidade e adequação da carne para o consumo humano.
O professor de nutrição animal Leandro das Dores Ferreira da Silva conta que lotes de gado de corte da raça Simental foram testadas entre 2005 e 2006, alimentados com 25%, 50%, 75% e 100% de torta de girassol em substituição ao farelo de algodão e soja. Os resultados estão sendo avaliados. ''O ganho de peso já foi confirmado'', declara Ferreira, ao explicar que o gado, com 75% da torta adicionada a ração animal, consome normalmente os detritos de girassol sem perder peso ou ter inapetência.
Das variedades utilizadas pela indústria do biodiesel - mamona, soja, algodão, girassol, nabo forrageiro, entre outros -, o pesquisador ressalva que a mamona não pode ser consumida pelo gado, por ser altamente tóxica. Assim, sua torta está sendo utilizada para a adubação de solos. O nabo forrageiro, também pesquisado pela UEL, mostrou bons resultados na alimentação do gado de corte. Ferreira destaca que a pesquisa do nabo está sendo conduzida em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Ibiporã (14 km a leste de Londrina). Um total de 50 cabeças da raça limousin estão desde setembro do ano passado consumindo a torta do nabo forrageiro.
O professor lembra que antes do biodiesel o nabo já era utilizado para a adubação verde e no descanso de solo. ''Ainda precisa de muitos estudos, porque o nabo forrageiro possui alguns princípios antinutricionais para o gado'', declara Ferreira, ao explicar que o resíduo consumido pelo gado não pode colocar em risco a alimentação humana.
Ferreira lembra que o detalhe principal é saber se tanto a qualidade da carne do animal quanto o leite produzido não serão afetados com resíduos provenientes da indústria de bioenergia. Segundo ele, o óleo retirado para combustão veicular só pode ser processado por esmagamento, sobrando óleo ainda nas sementes esmagadas. Já para extrair o óleo para o consumo humano, a indústria alimentícia utiliza solventes, impróprios para a bioenergia.
O pesquisador esclarece que a sobra do óleo nas sementes esmagadas, além de outros princípios nutricionais, é que irá influenciar positiva ou negativamente a qualidade da carne e do leite. Sobre este ponto é que se debruçam os pesquisadores da UEL, segundo Ferreira. ''Daqui a 12 meses os resultados finais sobre a qualidade da carne serão divulgados'', informa. Os testes com alimentação de resíduos de biodiesel vão ser estendidos a outras raças bovinas.
''Queremos com esta pesquisa acalmar o homem no campo, proporcionando outra possibilidade de renda'', enfatiza Ferreira. O pesquisador explica que a indústria esmagará a semente e mandará a torta de girassol, por exemplo, para o produtor de maneira gradual, ao longo do ano. Outro aspecto positivo é a melhoria do solo das propriedades com a utilização desses detritos do biodiesel. Na produção aninal, o pesquisador diz que o produtor poderá oferecer este alimento não só para as vacas mas também para cavalos e aves, tão logo as pesquisas sejam concluídas. (E.P.F.)





