Tomates mais 'limpos' na mesa
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sábado, 25 de novembro de 2006
Reportagem Local 
Implantado desde o ano 2000, o projeto Hortinorte desenvolvido pela Emater continua rendendo louros, quando o assunto é meio ambiente e segurança alimentar. O ponto de partida, foram as culturas de tomate que, devido a falta de informação, praticamente lideravam o ranking de aplicações de defensivos: 60 aplicações para um ciclo de cultura de 120 dias.
O Hortinorte, como explica o engenheiro agrônomo Paulo César Hidalgo, da Emater de Cornélio Procópio, responsável pela implementação do projeto, foi criado com objetivo de melhorar a produção de hortaliças diminuindo riscos via diversificação, gerar conhecimento e difundir tecnologias de baixo impacto ambiental e na saúde do aplicador de agrotóxicos e do consumidor, além de gerar renda e emprego.
Entre as tecnologias de baixo impacto ambiental, o destaque se volta para o monitoramento de pragas e doenças - técnica desenvolvida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) - que permite o levantamento correto dos índices de infestação dos insetos e da ocorrência de doenças. Com isso veneno só na hora, na área e na dosagem certa. ''Mais de oito mil quilos de veneno deixaram de ser despejados no ambiente a cada ciclo da cultura, além de uma economia no custo das aplicações de 20 a 40%'', comemora Paulo Hidalgo.
Atualmente, segundo o técnico da Emater, o projeto conta com a adesão de 1.700 produtores de 12 municípios das regiões Norte e Centro do Estado. O carro-chefe continua sendo o tomate, com 1.500 hectares de área plantada a céu aberto e 380 estufas na região de Santo Antônio da Platina e outras 150 em Cruz Maltina, oferecendo também assistência aos produtores de pimentão, berinjela e pepino.
Duas vezes por semana, o monitoramento é realizado para detectar a ocorrência de lagartas, ovos ou a presença das sete pragas principais, que atacam a hortaliça - trips, pulgão, mosca-branca, traça, broca-pequena, broca-grande e lagarta minador.
Quarenta produtores foram treinados para cuidarem do monitoramento de pragas ao invés de obedeceram o antigo calendário de aplicação de agrotóxicos herdado dos vendedores de pacotes de veneno.
''Além de economia, o método oferece benefícios ao meio ambiente e aplicador, que fica menos exposto aos produtos tóxicos. Incentivamos também o uso correto de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), como luvas, botas, máscara e macacão'', acrescenta Hidalgo.
Com essas recomendações nas mãos, mais de 80% dos tomateiros do projeto respeitam o prazo de carência entre dois e três dias, após a aplicação de inseticidas e fungicidas para a colheita dos frutos - o que evita a presença de resídios desses produtos e mais saúde na mesa do cosnumidor.
Para a safra 2006/07, constam nas metas do Hortinorte o acompanhamento e o
suporte técnico e organizacional de 180 produtores, com participação de 12
técnicos. ''Pretendemos levar o projeto a mais de 800 produtores com a realização de cerca de 30 eventos municipais e regionais'', conta o técnico da Emater. A estimativa é de cobrir uma área de 650 hectares de hortaliças com foco em cultivo de tomate e cultivo em ambiente protegido, em 16 municípios do Norte e Centro do Estado.


