Tomate produzido em lã-de-rocha
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sexta-feira, 03 de abril de 1998
Cristina Côrtes 
ProdutividadeO tomate hidropônico pode chegar a produzir o dobro do tomate convencional, numa área menorProdutor resolve investir em tecnologia de ponta para produzir tomate, e faz sua primeira colheita com sucesso. Entre os vários sistemas de cultivo em hidroponia, Laerte Pelizar Júnior resolveu realizar o cultivo em lã-de-rocha basáltica. Numa estufa de 350 metros quadrados instalou 420 pés de tomate, da variedade caqui extra-firme, e espera colher aproximadamente 5 mil quilos.
Numa lavoura tradicional colhe-se em média 6 kg de tomate por planta, mas nós vamos colher entre 12 kg e 15 kg em cada pé, diz Júnior. As estufas ficam na Chácara Red Green, na Gleba Três Bocas, em Londrina. O cultivo em lã-de-rocha já é bastante utilizado em países da Europa desde a década de 70, mas no Brasil começa agora a ser difundido entre produtores de hortaliças. Além de aumentar a produtividade, o cultivo exige um número menor de aplicações de fungicidas, reduzindo custos e oferecendo um produto mais sadio aos consumidores.
Tecnologia novaLaerte Pelizar Júnior, que é engenheiro-agrônomo, foi buscar conhecimentos sobre a nova tecnologia em cursos promovidos pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e optou pela cultura do tomate.
O produtor Laerte Pelizer Júnior está satifeito com os resultados do primeiro plantio
As mudas são cultivadas em bandejas com susbtrato normal, depois são transplantadas em cubos de lã-de-rocha, que são sobrepostos em slabs chamados de colchonetes, também de lã-de-rocha. Em cada colchonete foram instaladas duas plantas, porque a variedade cultivada é de crescimento determinado, com várias hastes. Se fosse outra variedade de apenas uma haste, poderíamos instalar até quatro plantas, explica o produtor.
Os colchonetes e os cubos podem ser utilizados para quatro cultivos, ou seja, dois anos, pois o produtor pretende fazer dois cultivos anuais. O ciclo do tomate hidropônico é de 100 a 110 dias. As plantas são irrigadas quatro vezes por dia, durante 3 a 4 minutos. A irrigação é controlada por equipamento que programa o número de vezes e a hora certa de fornecer água para a planta, completa.
Na água de irrigação é misturada a solução nutritiva que alimentará as plantas. Podemos perceber rapidamente quando a planta sente falta de algum nutriente e corrigir a carência, evitando o seu desgaste e consequente perda, diz.
NutriçãoPara cada fase da planta deve-se usar um tipo de formulação diferente. Pode-se trabalhar com formulação de solução nutritiva, já comprada pronta, ou fazer sua própria formulação na propriedade. Esta é a etapa mais complicada da produção de tomate hidropônico. Tem que usar as doses certas. No caso da alface, por exemplo, em que a planta só produz folhas, o processo de nutrição é bem mais simples, comenta Júnior.
Os cubos de lã-de-rocha são colocados sobre os colchonetes e ligados pelos espaguetes
O tomate tem várias fases: desenvolvimento da planta, florescimento, frutificação e desenvolvimento do fruto.Em cada momento temos que observar a necessidade da planta e fazer a nutrição adequada, completa.
A solução pronta é bastante cara e é o que vai determinar o custo de produção. Uma saca com 25 kg custa em média R$100,00 e é suficiente para alimentar suas 420 plantas por cinco dias. Já a formulação feita na propriedade pode custar bem menos, em média R$15,00 a saca.
Os investimentos iniciais para o cultivo são altos. Para a construção das estufas (são duas de 350 metros quadrados cada uma); aquisição da lã-de-rocha, equipamentos de irrigação com painel de controle automático foram gastos aproximadamente R$45 mil. Além destes gastos, o produtor está somando os outros custos da produção. Como é o primeiro plantio, e a colheita está apenas começando, ele não tem ainda os custos finais, mas acredita que devam ficar perto de 30%.
Júnior destaca a redução do uso de fungicidas como um fator que traz benefícios a quem produz e também aos consumidores. No seu primeiro cultivo, que completou 100 dias, ele fez apenas três aplicações. A última foi há 50 dias, o que dá uma boa margem de segurança para quem vai consumir. Não podemos chamar nosso tomate de orgânico, mas ele é muito mais saudável do que o produzido no solo, pois sabemos que muitos produtores não respeitam o prazo de carência para colher. E, segundo Júnior, o produto colhido antes do prazo de carência, por mais que seja lavado, continuará com o veneno. O fungicida só é eliminado pelo metabolismo da própria planta, completa.
A mão-de-obra para trabalhar com essa tecnologia tem que ser especializada. Por enquanto, com apenas uma das estufas em produção, Júnior tem cuidado sozinho de todo o trabalho. Desde a produção das mudas, plantio, preparo das soluções, condução das hastes, eliminação dos brotos. Mas já pensa em alguém para ajudá-lo. Tem que ser alguém com algum conhecimento, que possa ser treinado com a nova tecnologia, finaliza.


