Tomate hoje é o chuchu de 1977
Durante a elevação astronômica do preço do tomate este ano, muito se cogitou, entre veículos da imprensa e economistas, sobre a influência do fruto no cenário da inflação do País, cujo o Governo está com dificuldades recentes de controle. Não foi difícil encontrar pelas redes sociais, revistas e jornais, montagens da presidente Dilma Rousseff pisando literalmente no tomate.
Mas será que o tomate foi verdadeiramente um dos vilões da inflação? De acordo com um estudo do pesquisador do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq), João Paulo Deleo, isto é mito. Ele explica que o peso do tomate na composição da inflação é muito pequeno e que a olerícola entrou na história como "bode expiatório". "Individualmente, cada hortaliça tem peso muito pequeno na composição de qualquer índice inflacionário. Além disso, quando estão caras, acabam sendo substituídas."
Em seu estudo, ele relembra que no ano de 1977, o então ministro da Fazenda, Mario Henrique Simonsen, utilizou o aumento do preço do chuchu para justificar os índices do período, caso que acabou sendo chamado de "inflação do chuchu". "Na verdade, trata-se de uma tentativa de mascarar um processo de total descontrole inflacionário que ficaria evidente nos anos seguintes. Naquele período, a inflação já se encontrava na casa dos 40% ao ano e, até 1994, o Brasil representou os maiores aumentos de preços praticados no mundo", escreveu Simonsen.
Deleo explica ainda que na última década, além do tomate, não foi difícil escutar que a batata e a cebola foram responsáveis pela inflação. Segundo ele, um grande equívoco, quando se analisa a participação de diversos grupos de produtos que compõem o índice de inflação oficial, conhecido com Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ou IPCA. (V.L.)





