Tomate com menos agrotóxicos
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sábado, 20 de novembro de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
O cultivo do tomate movimenta cerca de R$ 20 milhões por ano no Paraná. A produção anual, em torno de 40 mil toneladas (t), envolve mais de 2 mil hectares e 6 mil produtores, que empregam diretamente mais 4 mil pessoas. É o caso do porcenteiro Reinaldo dos Reis Silvestre, que trabalha há dez anos com outros seis companheiros na propriedade de Gelson Marchiori, em Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana).
Para incrementar a produtividade dos tomateiros e reduzir gastos com a aplicação demasiada de defensivos, a Emater criou um programa com base no manejo integrado de pragas que atende os municípios de Jataizinho, Leópolis, Marilândia do Sul, Reserva, Santo Antônio do Paraíso, São Jerônimo da Serra e Tamarana.
O projeto Hortinorte, que conta com a participação de oito técnicos e agrônomos da Emater e 90 produtores, teve início em 2000 e já produziu resultados expressivos, como a diminuição de até 50% do uso de agrotóxicos na plantação, uma economia que varia de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil por hectare para os produtores. Os porcenteiros, como Silvestre, também saem ganhando, já que recebem até 25% do lucro total da lavoura.
De acordo com o agrônomo Paulo Hidalgo, da Emater, o manejo integrado envolve o monitoramento dos tomateiros por inspetores treinados pela Emater, em parceria com uma grande indústria do setor. O foco é a racionalização do uso de agrotóxicos: pela contagem das pragas, o monitor indica ao produtor a melhor época para a aplicação do veneno. ''Alguns produtores fazem até 45 aplicações por ciclo, enquanto que nas áreas monitoradas esse número pode ser reduzido a menos da metade'', apontou.
Segundo ele, o pólo produtivo conta hoje com 15 monitores em campo, sendo sete deles ligados à Emater. Cada monitor é responsável por até 15 propriedades e as visitas acontecem duas vezes na semana. ''Após a identificação da praga, é a vez do agrônomo indicar o defensivo mais eficiente e a quantidade ideal a ser aplicada'', ressaltou.
Respeitar a carência dos produtos, irrigar os tomates pelo processo de gotejamento - que evita a ocorrência de fungos causada pela umidade das folhas - e liberar inimigos naturais na lavoura, como o trichograma, são ações que podem incrementar o manejo integrado. ''Utilizar iscas de feromônio, atrativas aos insetos, também permite monitorar melhor a entrada de pragas'', lembrou Hidalgo.
Para o agrônomo, a aplicação tratorizada é ideal para a eficácia do controle de pragas, pois requer uma quantidade menor de defensivo e diminui a exposição do aplicador ao produto. Hidalgo também atenta para o uso de equipamentos de proteção individual pelo produtor durante o serviço.
Resultados Segundo Silvestre, o monitoramento teve início há cerca de um ano na propriedade onde trabalha e as perdas diminuiram significativamente. ''Antes a média era perder até três tomates em cada dez. Hoje já não perdemos mais nenhum'', comemorou.
Silvestre e os outros seis porcenteiros cultivam 35 mil tomateiros, sendo que cada um é responsável por 5 mil pés. No ano passado, a propriedade produziu 300 caixas/mil pés, que foram comercializadas nos mercados de Campo Grande, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Ele explica que a seleção dos frutos é feita de forma manual e que o mercado paga até R$ 16 pela caixa com 29 kg de tomates de primeira categoria. ''Já os tomates menores, vendemos por R$ 8 a caixa'', finalizou.


