Tom político na festa do produtor
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Telma Elorza<br>Reportagem Local 
A 45ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina a 13ª Internacional começa hoje com um tom bem mais político que em anos anteriores. A Sociedade Rural do Paraná (SRP), promotora do evento, quer usar uma das maiores vitrines brasileiras do agronegócio para exigir respeito aos produtores rurais.
Com o tema desta edição focado na renda do agropecuarista, a entidade pretende demonstrar o peso do setor na composição da balança comercial brasileira, a sua importância para a população em geral na produção de alimentos e fazer um alerta aos políticos e dirigentes sobre as dificuldades enfrentadas hoje no campo.
Está mais que na hora de usarmos o maior evento da área na América Latina para mostrarmos o peso da agropecuária na economia brasileira, a oportunidade de ser a voz ativa da classe perante o público e os políticos que freqüentam a Exposição, explica o presidente da SRP, Edson Neme Ruiz.
Segundo Ruiz, é preciso criar mecanismos para proteger a rentabilidade no campo, antes que a situação chegue a um ponto crítico. Somos reponsáveis por um terço do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e produzimos quase a totalidade de alimentos para a população; estamos sempre investindo em tecnologia para plantar e colher mais. É inconcebível que o produtor receba uma renumeração tão baixa pelo seu trabalho, afirma.
Segundo ele, o momento que o agropecuarista vive reflete como está a situação: Os insumos para a safra atual foram comprados no ano passado com o dólar a R$3,10. Hoje, estamos vendendo a colheita com o dólar a R$2,60, R$2,70. Praticamente pagamos para trabalhar. O governo precisa ser mais sensível com o problema, criando instrumentos para salvaguardar a produção, prorrogando dívidas agrícolas e reduzindo juros de financiamentos, aponta.
Para o presidente da SRP, está na hora de o governo brasileiro se posicionar melhor sobre a questão da produção de alimentos. Somos o celeiro do mundo e, mesmo assim, têm pessoas passando fome aqui, no Brasil. Com tantos problemas, ainda somos competitivos no mercado internacional. Se tivéssemos apoio como os Estados Unidos e a Europa dão aos seus agropecuaristas, através de subsídios, não teríamos concorrentes.
Ruiz diz que há grandes dificuldades em obter o reconhecimento e o apoio dos governos. A maioria dos brasileiros nunca passou fome. Na Europa, onde o povo viveu duas grandes guerras e onde a fome era generalizada, independente de classe social, a população tem uma clara noção da importância e valoriza a produção de alimentos, garante.
Para ele, seria preciso uma campanha de conscientização da população para mostrar a enorme diferença entre o valor que o produtor recebe e o que o consumidor final paga. Mas, para isso, é preciso nos unirmos, afirma.


