Depois de dois anos de preços muito baixos, em 2001 e 2002, que provocaram uma acentuada redução de área, a mandioca está deixando um lucro superior 90%. A tonelada da raiz chegou a ser cotada, esta semana, entre R$ 190,00 e R$ 210,00. O custo de produção gira em torno de R$ 90,00/tonelada.
Para se ter idéia da alta dos preços da matéria-prima, em outubro do ano passado o preço recebido peos produtores não passava de R$ 55,00/tonelada da raiz. Mas este preço era muito baixo e não cobria o custo de produção. O resultado foi uma redução na área de 158 mil ha em 2001/2002 para 112 mil ha em 2003.
Por conta da redução da área, a produção caiu de 3,4 milhões de toneladas, em 2001/02, para atuais 2,4 milhões de t desta colheita.
O especialista do Departamento de Economia Rural (Deral) Methodio Groxko deixa claro que o excelente preço do momento apenas compensa os prejuízos deixados pela má comercialização das safras anteriores. Com um detalhe: nem todos partilham do bom momento da virada, afinal a queda na produção de 1 milhão de toneladas indica que dezenas estão fora do mercado.
O setor industrial também sofreu as consequências de um mercado irregular. Muitas fecularias suspenderam as atividades por algum período, enquanto outras trabalham com capacidade ociosa. Algumas das 42 indústrias de fécula do Paraná estão buscando matéria-prima fora do Estado.
Com um produtividade de 20 t/ha e renda líquida deixada pela mandioca, este ano, é superior a renda da soja. O problema é a alternância entre anos bons e anos em que há excesso de ofertas e então os preços desabam, sem uma política de sustentação de preços, conforme denunciaram produtores no ano passado.
Para fomentar a produção do produto, a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) está organizando seminários em que acena com boas oportunidades de comercialização. Na última sexta-feira, em Cianorte, cerca de 800 pessoas participaram de um encontro que contou com a presença do vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti. Os empresários do setor mandioqueiro querem a participação do governo do Estado num plano de estímulo ao setor.
Para melhorar as condições de mercado e ampliar a demanda o setor industrial está contando com a adição do amido de mandioca na farinha de trigo. As experiências isoladas e de instituições oficiais aprovam essa adição que já não encontra resistência no setor moageiro de trigo como ocorria alguns anos atrás.

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