Somente de janeiro a outubro do ano passado, o Centro de Informações Toxicológicas (CIT), do Hospital Universitário da UEL, atendeu 64 casos de pessoas picadas por cobra, quase todas da zona rural de Londrina e região. Dessas, apenas 11 foram vítimas de serpentes não peçonhentas. As demais foram picadas por jararacas ou cascavéis. Ninguém morreu, mas a maioria passou internada alguns dias no HU e tomou soro antiofídico.
A farmacêutica e coordenadora do CIT, Conceição Turini, explica que a maior parte do acidentes com peçonhas na zona rural, ao contrário da cidade, acontece com serpentes. E que, no verão, a incidência é bem maior. ''Aumenta porque é uma época em que elas saem mais a procura de alimentos'', explica a coordenadora. E, com a chuva, o trabalhador rural também fica mais exposto, uma vez que tem que cuidar mais do mato alto.
Levar a vítima ao hospital e o quanto antes é a medida mais importante no caso de picada de cobra. Quanto antes o soro antiofídico for aplicado, menores são as chances de complicações. O ideal é que, havendo condições de segurança, o animal seja capturado e levado junto com o paciente ao hospital para ser identificado. A coordenadora do CIT explica que os soros para cada espécie de cobras são diferentes. ''Normalmente a cascavel é mais fácil de identificar por causa do guiso, mas as jararacas podem ser confundidas com cobras não peçonhentas'', alerta.
No entanto, se não houver condições de identificar o animal na hora do acidente ou de capturá-lo, essa identificação será feita no hospital, de acordo com a evolução do caso. ''Em geral, a cascavel tem um veneno com toxidade maior porque interfere no sistema nervoso, podendo levar à paralisia de músculo e o paciente pode ter parada respiratória'', afirma. Conceição alerta que o ideal é que o paciente chegue ao hospital num período de uma hora após a picada.
A coordenadora do CIT afirma que, em 25 anos que trabalha no centro, só viu um caso de paciente picado por cobra coral, espécie peçonhenta também presente na região. ''Por ser mais frágil, essa cobra vive mais escondida'', justifica. Mas o veneno da espécie tem uma toxidade ainda maior que o das jararacas e cascavéis.

Sem proteção
O médico veterinário e coordenador regional de Produção Animal da Emater, Paulo Tadatoshi Hiroki, diz que é muito difícil o trabalhador rural utilizar equipamentos de proteção. As botas de cano longo de borracha ou couro são eficientes para proteger das picadas de cobra. Mas ninguém usa. ''Não sei dizer se é por que o patrão não oferece ou se ele não quer usar. O fato é que não usa'', afirma.
Segundo Conceição Turini, na maioria dos casos, as pessoas são picadas do joelho para baixo. ''A bota é muito importante. E, se a pessoa for lidar com o mato, é bom também usar luvas.'' Ela chama atenção para a necessidade de se manter a vacinação antitetânica do trabalhador rural em dia. ''A serpente não escova o dente e, além de inocular veneno, também inocula bactérias.''
Serviço: Locais para procurar informações e tratamento:
- Centro de Controle de Intoxicações de Londrina (43) 3371-2244 e 0800-7226001. O atendimento é 24 horas por dia.
- Centro de Controle de Envenenamentos de Curitiba: 0800-410148
- Centro de Controle de Intoxicações de Maringá: (44) 2101-9127
- Centro de Assistência em Toxicologia de Cascavel: 0800-6451148

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