O Governo Federal está agindo contra a gripe aviária, doença que ainda não existe no Brasil, mas vêm provocando temor em várias partes do mundo, especialmente na Ásia. Desde a metade de outubro, técnicos de vários ministérios e representantes da avicultura brasileira estão prontos para colocar em prática um plano de contingência que tem a intenção de evitar a entrada da doença no País. ''Essa mobilização é fundamental'', garante a pesquisadora Liana Brentano, da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC).
''A gripe do frango ou a Influenza Aviária, é uma doença devastadora nas aves. O que está acontecendo na Ásia, com a transmissão para humanos, merece realmente uma atenção muito especial de todos os segmentos envolvidos com a questão'', explica a pesquisadora, que é especialista em doenças de aves. Para a avicultura brasileira, a entrada da doença pode representar prejuízos incalculáveis. No disputado mercado mundial da carne do frango, um mero foco de Influenza é suficiente para suspender contratos e render muitas perdas para as agroindústrias e produtores.
Mas como a avicultura brasileira é quase toda industrial, muito diferente da existente nos países que até agora registraram casos da gripe do frango, existem todas as condições para uma resposta rápida. O contato entre humanos e aves no Brasil é bem menor do que em países como o Vietnã, em que as criações de fundo de quintal de galinhas, gansos, patos e marrecos são muito comuns. Mesmo assim, não existe risco zero. ''Temos que estar preparados para tudo'', recomenda Liana.
A gripe do frango, como explica a pesquisadora é causada pelo vírus Influenza, semelhante ao que afeta os humanos e provoca a gripe. Os vírus aviários, entretanto, apresentam características muito diferentes dos que atingem o homem. ''Os vírus das aves apresentam 16 subtipos e alguns deles são altamente causadores de doença'', informa.
Ainda segundo a pesquisadora, são dois os vírus que caracterizam a doença nas aves o H5 e o H7 e, geralmente, são devastadores. ''A gripe provoca lesões sérias nos sistemas respiratório, digestivo, nervoso e reprodutivo'', diz. Nos casos relatados em humanos, até agora, a doença se manifesta como uma infecção pulmonar aguda. Em pelo menos dois casos, o vírus foi encontrado no cérebro das vítimas.
O contágio de pessoas pode ocorrer de várias formas, como por meio de secreções dos sistemas respiratório e digestivo das aves infectadas ou por um contato direto com a ave. A contaminação pode ocorrer também indiretamente, através da condução do vírus por meio de veículos de transporte, bebedouros, água, comedouros, ração, gaiolas, roupa, calçados e botas.
Na Ásia houve casos de pessoas que se contaminaram após comerem carne de frango e aves infectados. Liana tranquiliza o consumidor brasileiro, dizendo que não há qualquer risco quando se compra a carne de frango num supermercado, por exemplo. Primeiro porque o País não possui por enquanto focos da doença. E segundo porque as carnes vendidas nos supermercados são analisadas pelos técnicos do Sistema de Inspeção Federal (SIF). ''Não há como uma carne infectada pelo vírus Influenza chegar até o consumidor por meio da avicultura industrial'', garante.
Serviço: Contatos com a Embrapa Suínos e Aves pelo telefone (49) 3442-8555 ou consulte o site: www.cnpsa.embrapa.br.

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