O uso de tecnologias e a profissionalização, como em outras atividades do agronegócio, fazem a diferença na pecuária. A produtividade, prenhez de vacas e redução do intervalo entre partos são garantia de rentabilidade na pecuária de corte ou de leite. A tecnologia da Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF) se soma aos métodos tradicionais de inseminação artificial, e é um facilitador da reprodução animal na propriedade.
O sistema supre um dos principais problemas dos pecuaristas que optam pela inseminação artificial. ''Geralmente, os produtores têm dificuldades em conseguir mão-de-obra qualificada; os trabalhadores muitas vezes não conseguem identificar o cio nos animais'', diz o veterinário Celso Koetz, professor responsável pelo laboratório de reprodução animal da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Arapongas.
A indução do cio, feita por meio de hormônios, permite a concentração do período de fertilidade das vacas e a sua inseminação. ''A identificação não será mais por observação, o que garante a exatidão do ciclo do animal'', descreve Koetz. Pelo sistema tradicional de inseminação um funcionário faz a observação do cio de manhã e à tarde.
Há no mercado diversos produtos para a realização da IATF, os chamados protocolos. O equipamento é utilizado para o implante vaginal de hormônio progesterona, que é absorvido pelo organismo do animal. Após cerca de sete dias, o implante é retirado e em torno de 48 horas depois é realizada a inseminação.
A coincidência do cio de vários animais é uma das vantagens do sistema. Como as vacas são inseminadas num só período, os partos podem ser programados para a mesma época. ''A estação de monta é melhor aproveitada, o índice de prenhez é melhorado e o período seguinte de inseminação pode ser programado'', explica Márcio de Oliveira Marques, veterinário de uma empresa de inseminação artificial do norte do estado. Ele abordou a IATF em bovinos de corte no 3º Simpósio Internacional de Reprodução Animal Aplicada, realizado em Londrina na semana passada.
Segundo o especialista, o sistema garante o maior rendimento da propriedade. ''Com o IATF, é possível que a vaca tenha um bezerro por ano'', diz. Ele explica que com a prenhez e o parto programados, o animal estará pronto para a próxima estação de monta. Além disso, se não houver a fertilização no período programado, haverá tempo de uma nova inseminação antes do final da estação.
Outra vantagem da IATF é o melhoramento genético do rebanho. O sistema possibilita imprimir nos animais algumas características, como rusticidade e ganho de carcaça. É o caso da Fazenda Nossa Senhora da Boa Sorte, no distrito de São Luiz, em Londrina, integrante de um pool de propriedades de um grupo que se dedica à cria e engorda de animais. Ali, a tecnologia permitiu o cruzamento do Nelore com a raça européia Hereford. O resultado é a Braford, que tem a rusticidade e resistência do primeiro e a aptidão para a produção de carne do Hereford.

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