Enquanto o consumo dos cafés especiais cresce à taxa de 12-15% ao ano na Europa e nos Estados Unidos, a procura dos cafés tradicionais aumenta de 1,5% a 2% ao ano. No momento, lembra o engenheiro-agrônomo Francisco Barbosa, do Departamento Nacional do Café (órgão vinculado ao Ministério da Agricultura),o diferencial de preços entre cafés bons e ruins é muito baixo, mas no primeiro leilão internacional de cafés especiais, realizado no final do ano passado, produtores venderam a saca por até R$ 600,00.
Por isso está sendo concluída, no Brasil, uma campanha de marketing para divulgar os cafés especiais brasileiros no Exterior e também fomentar o consumo desses tipos entre o público interno. A idéia, diz Barbosa, é oferecer cafés especiais, visando agregar valores ao produto e proporcionar aos cafeicultores melhor ganho. Incluída no programa ‘‘Cafés do Brasil’’, a campanha é coordenada pela ABIC e apoiada pelo Governo brasileiro através do Funcafé.
IdentificaçãoIniciativa da ABIC, a campanha de melhoria de qualidade e certificação dos cafés brasileiros divide a produção dos principais Estados produtores, conforme as características marcantes dos seus cafés. Participam desse esforço os Estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. No começo deste ano esses Estados montaram estandes, para exibir seus produtos na Feira de Cafés Especiais realizada em San Francisco, EUA.
Depois daquela feira, cada estado indicou à ABIC dois representantes: um técnico especialista em café na área de qualidade e um classificador-provador. Formada uma comissão constituída por esses técnicos, eles estão procurando caracterizar os atributos de qualidade dos cafés de suas regiões.
Segundo Barbosa, os técnicos representantes do Paraná acharam que o Estado não poderia ter muitos padrões de café, mas no mínimo dois, considerando a existência de regiões muito diferenciadas em termos de café: o arenito, basicamente no Noroeste do Paraná, mas que também abrange municípios com características da terra roxa; e tem o café da região alta, na terra roxa, mas que possui um verde mais intenso. É um café mais incorpado, mais aromático e tem acidez moderada, enquanto os cafés do arenito tem coloração verde mais clara, acidez mais baixa, são medianamente incorpados e menos aromáticos. São cafés que, ao serem colocados numa prova de xícara ou numa cartolina, para ver o aspecto, mostram-se muito diferenciados.
DividirA idéia inicial era dividir os cafés por região, como ‘‘Café Noroeste do Paranᒒ e ‘‘Café Norte do Paranᒒ, mas os técnicos acharam que isso não enquadraria os cafés produzidos em enclaves de terra roxa no arenito, como por exemplo em Jesuíta, no Oeste do Estado. ‘‘É um café que está em região de terra roxa, no Oeste, e tem uma característica diferenciada das regiões de Umuarama e de Paranavaí, em área de arenito’’, lembra Barbosa. Então, os técnicos acharam melhor caracterizar os cafés paranaenses em duas categorias baseadas em nomes já conhecidos no Brasil e no Exterior: ‘‘Paraná Terra Roxa’’ e ‘‘Paraná Iguaçu’’.
‘‘Lá fora - Europa, Estados Unidos, principalmente -, quando se fala em terra roxa o pessoal sabe que é do Paraná. E quando se fala em ‘‘Iguaçu’’, do ponto de vista de marketing há uma ligação com Cataratas do Iguaçu’’, argumenta o técnico.
Cada café do Brasil sairá com uma caracterização, terá seus atributos. São Paulo resolveu colocar dois padrões - ‘‘Café da Mogiana’’ e ‘‘Café do Oeste de São Paulo’’. A diferença com o Paraná é que lá eles identificaram seus cafés por regiões e aqui foram identificados com nomes que não são regionais.
Os atributos do ‘‘Mogiana’’ são semelhantes aos do Sul de Minas. Os técnicos fizeram uma série de rodadas entre as regiões, procurando as semelhanças. No Paraná os cafés do Noroeste têm semelhanças com os do Oeste de São Paulo; o café do Sul de Minas é muito parecido com o café da Mogiana. ‘‘Então - explica o agrônomo - fomos discutindo de tal maneira que caracterizasse cada região com três ou quatro atributos que determinassem a qualidade do seu café. E além desse atributo, teremos uma história de cada padrão de café do Brasil (são quatro padrões de Minas Gerais - ‘‘Montanhas de Minas’’ - Zona da Nata, ‘‘Cerrado’’, ‘‘Sul de Minas’’ e ‘‘Oeste de Minas’’), dois na Bahia (‘‘Café da Chapada’’ e ‘‘Conillon’’, do Sul daquele Estado Bahia). O Espírito Santo colocou ‘‘Conillon’’ e ‘‘Montanhas do Espírito Santo’’.
AtributosA descrição de todos esses cafés passa a ser por atributos, não mais pela descrição usada durante muitos anos como café ‘‘geado’’, ‘‘duro’’, ‘‘rio’’, ‘‘mole’’. Hoje o café é descrito como se fosse vinho, falando-se em ‘‘corpo’’, ‘‘acidez’’, ‘‘aroma’’, ‘‘doçura’’, ‘‘amargor’’. Esses são os cafés de qualidade e os cafés que se enquadrarem dentro desses atributos, serão certificados. A campanha deverá estar totalmente estruturada ainda este ano e os cafés brasileiros já poderão competir no mercado internacional, a partir do início do Terceiro Milênio, com atributos agregadores de valor em benefício dos produtores.

Atributos paranaenses

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