O clima na propriedade administrada por Paulo Maurício dos Santos é de muita expectativa. O patrão acaba de lhe confiar mais uma atividade além dos cuidados com três aviários. A chácara de 4 alqueires é uma das propriedades que participam do projeto de produção integrada de peixes conduzido pela Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), em Cafelândia, no oeste do Estado.
Para a atividade foram construídas duas represas com total de três hectares (ha) de lâmina d'água e com capacidade de produção estimada em 12 toneladas/ha/ano. As represas receberam os primeiros lotes de peixes há dois meses e a retirada para o abate está programada para dezembro. Paulinho, como é chamado, irá dividir as responsabilidades da piscicultura com o filho Paulo Rael, de 16 anos.
O adolescente já domina as técnicas de cuidados com a água, como o controle de qualidade, PH, transparência, temperatura, além da nutrição e acompanhamento da evolução dos peixes com as pesagens (biometria). A propriedade traz alguns diferenciais, nas represas foram instalados equipamentos que permitem a automatização de parte do manejo, como os tratadores e os aeradores.
Segundo o engenheiro de pesca Nestor José Braun, responsável pelo acompanhamento do projeto, o tempo de evolução de cada lote de peixes varia entre quatro a oito meses com as tilápias atingindo 650 gramas - peso médio ideal para o abate. ''É possível a retirada de três lotes de peixes a cada dois anos'', explica.
A piscicultura vem como mais uma opção de produção aos cooperados da Copacol, já conhecida pela produção de grãos, aves e suínos. Na semana passada a cooperativa inaugurou um abatedouro de peixes com capacidade de processamento de 50 toneladas por dia, meta a ser atingida em 2012. Até lá, estão sendo abatidas 10t/dia de tilápias.
Para o projeto foram selecionados 150 cooperados, 70% deles de pequenos produtores. O investimento médio é de R$ 20 mil por hectare de lâmina d'água. Nesta primeira fase, 60 propriedades já estão em plena produção. O objetivo, destaca Braun, é oferecer mais uma opção de renda aos produtores sem a necessidade de mais área de produção. ''Os parceiros irão aproveitar áreas já disponíveis na propriedade construindo as represas seguindo as normas ambientais já existentes''.
A parceria com a cooperativa segue os mesmos padrões da avicultura. A Copacol oferece os peixes, ração, acompanhamento técnico, além de pessoal especializado para a retirada dos peixes. Cabe ao produtor a construção das represas com boas condições de acesso aos veículos que trazem e levam os cardumes, além da mão-de-obra para a condução do criatório. O rentabilidade deve variar de R$ 0,30 a R$ 0,80/kg. ''A média de resultados está estimada em R$ 0,62/kg'', calcula o técnico da cooperativa.

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