Tilápia impacta menos do que se imagina
Instigado pelos reclames de que a tilápia seria uma espécie exótica capaz de impactar severamente o meio ambiente, o doutor em Piscicultura e professor de Aquicultura e Piscicultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Júlio Hermann Leonhardt, pesquisou o assunto e concluiu que a principal espécie cultivada comercialmente não representa tanto risco assim.
Conforme o professor, a tilápia não consegue dominar um espaço habitado por espécies nativas carnívoras como se imaginava. ''Na Represa Capivara, em Primeiro de Maio, percebemos que as tilápias capturadas estavam todas lesionadas por peixes como a piranha, o tucunaré, a curvina'', destaca.
Outra conclusão é que a conversão alimentar (quantidade de ração necessária para produzir um quilo de peixe) da tilápia em tanque rede é bem menor em comparação com outras espécies: ela precisa comer 1,3 kg de ração para pesar 1 kg. Já o pacu consume 3 kg de ração para atingir 1 kg. ''Na ração está presente o fósforo que, se não 'virar' peixe, acaba eutrofizando a água, o que aumenta a matéria orgânica em decomposição e prejudica a qualidade da água'', explica. Leonhardt lembra, no entanto, que as fábricas de ração já tentam reduzir o fósforo na composição do produto.
O estudioso defende que a atividade, se for conduzida de forma legal, pode ser uma alternativa para pescadores profissionais que estão em dificuldades, desde que haja investimento em qualificação. ''Acredito que a solução para a pobreza dos pescadores é torná-los criadores porque, por causa da sobrepesca, os peixes nos reservatórios quase acabaram. Só na Represa Capivara são mais de 600 pescadores profissionais que passam por necessidades'', aponta. (L.A.)





