Tetos limpos, leite saudável
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sexta-feira, 18 de abril de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Bom preço no mercado nacional e internacional, queda na produção e aumento na demanda abrem uma possibilidade inédita ao leite brasileiro. Para atender a um mercado tão exigente é necessário mudança de hábitos dos produtores, principalmente na ordenha, onde ocorrem os problemas que inviabilizam o produto mesmo para o consumo interno.
É na ordenha que o ocorre a contaminação do leite, que muitas vezes é desprezado na indústria, prejudicando os ganhos do produtor. De acordo com Leovegildo Lopes de Matos, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora (MG), o produtor ou o funcionário que faz a ordenha manual às vezes não tem cuidado com a higiene do próprio corpo. ''Então, é necessário um trabalho educativo com os produtores para que mudem seus hábitos, o que seria estendido à lida com os animais''.
A falta de cuidado, como explica o pesquisador, tem reflexos na saúde do animal. Uma das doenças mais comuns resultantes da falta de higiene é a mamite, que exige o uso de antibióticos. ''Os resíduos desses produtos prejudicam a qualidade do leite e ele não pode ser usado, por exemplo, para a fabricação de iogurtes'', explica Matos. ''Sem falar nos custos de produção, com a aquisição de medicamentos'', completa.
A ocorrência de doenças também prejudica a aceitação do produto no mercado internacional. ''Lá fora, os compradores querem a garantia da segurança alimentar, de que ordenhamos vacas saudáveis. Produto sem resíduo ganha mercado'', ressalta.
Para atender e solucionar a questão da higiene na ordenha, a Embrapa Gado de Leite desenvolveu um kit, que pode ser facilmente adotado pelos produtores. O custo médio para implementação do kit é R$ 150, e a manutenção, com a compra de papel-toalha, cloro comercial e detergente alcalino em pó, é de R$ 12.
A utilização do kit, que foi testado em várias regiões, permitiu uma redução entre 40% a 85% da contaminação microbiana inicial do leite. O princípio do sistema é a higienização dos tetos das vacas antes da ordenha, e cuidados com a higiene do ordenhador, e a limpeza dos equipamentos do kit. Outra vantagem é o banquinho, que possibilita maior conforto ao trabalhador no momento da ordenha e reflete na produtividade. O kit recebeu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica em 2007.
Uma cartilha foi elaborada pela Embrapa com o passo-a-passo do kit e é distribuída nos treinamentos dos produtores. O material é barato e pode ser encontrado em qualquer loja. Para resolver o problema do acesso à água no local da ordenha, um balde é adaptado para armazenar a água clorada que será usada para a limpeza dos tetos, que são secados com papel-toalha. O ordenhador faz até o teste da caneca do fundo preto para detectar problemas com a saúde do animal, como a mastite.
O banquinho especial, que é preso por um cinto no quadril permite que após a higienização das mãos o trabalhador não tenha mais nenhum contato com o material, que pode contaminar o leite. Um balde semi-aberto ou meia-lua evita que sujeiras caiam no leite durante a ordenha. O produtor também é instruído a fazer a limpeza de todo material utilizado.


