Testada ferramenta que mede sustentabilidade no campo
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
São Paulo - Avaliar o desempenho de sustentabilidade de um produto ou processo nos três pilares da sustentabilidade: economia, ambiente e sociedade. Esta é a principal proposta do AgBalance, uma metodologia de avaliação da cultura sustentável desenvolvida pela Basf e testado, inicialmente, em duas grandes lavouras brasileiras. Dois anos e cerca de 2 milhões de euros foram necessários para o desenvolvimento da ferramenta.
O AgBalance representa uma evolução das análises de socioecoeficiência, com ênfase na avaliação da sustentabilidade na agricultura. A ferramenta, que pode ser utilizada em qualquer processo produtivo, conta com 69 indicadores, cada um ligado a um dos três pilares da sustentabilidade, calculados por meio da ponderação de aproximadamente 200 fatores de avaliação.
''Esta metodologia nos possibilita analisar diferentes cenários da cadeia produtiva. O trabalho do produtor é muito importante e estamos comprometidos a ajudá-lo a desenvolver uma agricultura sustentável'', afirmou Markus Heldt, presidente mundial da Divisão de Proteção de Cultivos da Basf, durante a Conferência Global para Imprensa da Unidade de Proteção de Cultivos, realizada em São Paulo, na semana passada, quando foram apresentados os resultados obtidos com a aplicação da ferramenta no País.
O Brasil foi o primeiro a utilizar a metodologia, que agora começou a ser aplicada em outros países. O diretor-presidente da Fundação Espaço ECO, Roberto Melo de Araújo adiantou, no entanto, que a Basf está fazendo contato com a C. Vale - Cooperativa Agroindustrial, instalada no Paraná, para desenhar um projeto na unidade e utilizar o AgBalance. ''É uma cooperativa que integra a cadeia de produção de soja, milho e frango, que pode ser um caso muito importante para a metodologia'', declarou, acrescentando que a Basf tem outros potenciais clientes no Estado.
O vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf para a América Latina, Eduardo Leduc, explicou que hoje não existe preço para a metodologia porque está sendo trabalhada apenas com clientes de setores que estão preparados e dispostos a fazer o estudo e a implementar as melhorias. ''Pode ser que a médio prazo tenhamos uma versão comercial, no entanto, hoje esse não é o grande objetivo'', esclareceu. ''Neste momento estamos falando de como gerenciar e disseminar as melhores práticas para a agricultura''.
O AgBalance foi testado na SLC Agrícola, produtora de commodities (algodão, soja e milho) e a sucroalcooleira Guarani. No primeiro exemplo foram avaliadas e comparadas a produção das commodities e a cadeia de suprimentos e logística de escoamento em duas unidades da empresa: as fazendas Planalto, no Mato Grosso do Sul, e Panorama, na Bahia. O relatório mostrou que os fertilizantes utilizados no processo produtivo são os insumos que consomem a maior quantidade de energia e os que mais emitem dióxido de carbono.
Entre outros fatores, o estudo apontou que se a SLC reduzisse 10% no volume de fertilizantes utilizados anualmente nas duas fazendas, seriam economizados 14,8 milhões de kwh - energia suficiente para abastecer, por um ano, 2.073 casas - ou 7,9 mil toneladas de dióxido de carbono, que equivalem a um caminhão de 14 toneladas dando 150 voltas completas no planeta.
No caso da Guarani, os estudos fizeram a comparação entre as Unidades Industriais Andrade e Cruz Alta, ambas localizadas no noroeste paulista. O relatório recomendou a intensificação da utilização de vinhaça e composto (torta de filtro e cinzas) como opções ao uso de fertilizantes minerais. De acordo com o estudo, as principais emissões da empresa estão relacionadas ao uso de fertilizantes, ao consumo de óleo diesel para a produção e à queima da cana para colheita manual.
Há cerca de 10 projetos em início de discussão para implementação do AgBalance ainda neste ano, incluindo o Brasil e outros países.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Basf.


