Terreiro suspenso de secar café
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Luiz Taques 
Mário CésarPráticoTerreiro de sombrite já é utilizado por agricultores do Norte PioneiroHá um mês, o agrônomo Tumoru Sera, 46 anos, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), construiu na sua propriedade, a Fazenda Serinha, localizada em Congoinhas (Norte do Estado), o sombrite. É uma alternativa adequada para pequenas e médias propriedades que não têm dimensão para investir em secadores, assegura. Na semana passada Sera explicou aos produtores do município de Assaí o que é o sombrite.
Segundo o pesquisador do Iapar, o sombrite é originário da região Sudoeste do Estado de São Paulo. Lá, disse Tumoru Sera, a colheita do café é realizada no período de frio e chuvoso, o que é desfavorável para a obtenção de café de qualidade no terreiro, devido à fermentação dos frutos e ao período mais prolongado para secagem.
RapidezO sombrite, na verdade, é um terreiro suspenso e parece com uma estufa. No terreiro tradicional, dependendo da região, o café demora entre 15 e 20 dias para secar. Com o sombrite, assegura Tumoru Sera, esse tempo cai pela metade. O custo de construção também fica pela metade, informa.
Tumoru Sera, do Iapar: Sombrite também permite obtenção de café de qualidade
Para construir o terreiro tradicional, é preciso fazer a terraplanagem, comprar cimento, tijolos e areia, além, é claro, de contratar a mão-de-obra, que nem sempre é barata. O administrador da Fazenda Serinha, Ademir Landgraf, conta que gastou R$ 900,00 para construir um terreiro de sombrite de 2,80 metros de largura por 25 metros de comprimento na propriedade.
A capacidade do sombrite da Fazenda Serinha é secar 20 sacas de café em coco. O sombrite foi construído em cinco dias. Os gastos foram os seguintes: a tela de 300 metros quadrados custou R$ 450,00; os 1.800 metros de arame R$ 135,00, as 28 unidades de catracas R$ 40,00; os eucaliptos sairam por R$ 100,00; as tábuas por R$ 100,00 e a mão-de-obra por R$ 80,00. Com esse sombrite, temos condições de secar o equivalente a três hectares de café adensado, informa o pesquisador do Iapar, Tumoru Sera.
O terreiro é sustentado sobre pilares de troncos de eucaliptos. O arame liso é fixado nas extremidades com madeira e catracas esticadoras. No sombrite, o café passa pelo processo de secagem a 80 centímetros do solo, tomando o solo por cima e recebendo a ventilação por baixo, esclarece o pesquisador do Iapar.
No período de chuvas recomenda-se a cobertura da tela com lona
SecagemCom o sombrite, o café fica ao ar-livre, como no terreiro tradicional, só que suspenso. Tumoru Sera recomenda remexer os frutos com um rodo de madeira, para ter uma secagem uniforme. A vantagem do sombrite é que a água de eventuais chuvas passa através da tela e seca com o vento, observa o pesquisador. Na época das chuvas, o sombrite pode ser coberto com lona.
O sombrite permite a obtenção de café de qualidade, já que não ocorre a fermentação dos frutos, diz Tumoru Sera. Uma outra vantagem citada por ele é que com o sombrite o agricultor economiza até 30% na secagem, uma vez que não há necessidade de esparramação e amontoa diárias.
Tumoru Sera diz que alguns agricultores do Norte Pioneiro já instalaram sombrites em suas propriedades. A Fazenda Serinha tem 40 alqueires, seis dos quais estão plantados com café das variedades icatu precoce, iapar 59 e sarchimor-tardio.


