Terra agrícola sobe apenas 7% no País
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sábado, 22 de janeiro de 2011
Victor Lopes<br>com Agência Estado<br>Reportagem Local 
O preço médio da terra no Brasil teve uma pequena alta em 2010. De acordo com levantamento da AgraFNP Consultoria, a ascenção foi de apenas 7%, ou em torno de 0,5% se descontada a inflação do ano passado. Segundo a empresa, a justificativa para esse leve aumento foi o parecer da Advocacia Geral da União (AGU), divulgado em agosto último, que veta a participação majoritária de estrangeiros na aquisição de propriedades brasileiras.
Segundo Jaqueline Bierhals, analista de mercado da consultoria, esse parecer afastou os produtores que investem no Brasil, como os especuladores, que participam do setor muitas vezes por meio de fundos de investimentos. ''As altas sempre acompanhavam os preços das commodities, principalmente da soja, que saltou mais de 30% em 2010'', comenta a especialista.
No Paraná, o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab/Deral) não calcula uma média geral do Estado em relação ao aumento da terra, já que cada região tem um critério que serve como referência de preço. ''Normalmente, a terra sobe de acordo com o preço da soja, que funciona quase como um indexador. Mas não é difícil acontecerem aumentos superiores aos 7% em algumas regiões'', explica Edimar Gervásio, administrador do Deral.
Na pesquisa que acontece anualmente o departamento apontou que houve valorização de áreas não mecanizáveis em diversas regiões do Estado, em decorrência da discussão da Reserva Legal - normativa do Ibama que autorizava produtores a adquiriram áreas na mesma região hidrográfica para ser averbada como parte da propriedade. ''A demanda foi maior para esse tipo de terra devido a essa questão. Em relação a preços, nas regiões com grande produção de soja como Toledo, Cascavel e Ponta Grossa certamente a terra é mais cara'', avalia Gervásio.
Como análise comparativa, por exemplo, de Toledo e Londrina, a terra roxa mecanizável no oeste do Paraná foi comercializada em 2010 por R$ 22,95 mil o hectare. Já no norte, o hectare do mesmo tipo de solo e classe foi vendido a R$ 11 mil.
Para o imobiliarista Luiz Perez, da Imobiliária Perez, a venda de terras em Londrina ficou praticamente estável em 2010. ''A procura foi morna, mas antes do aumento da soja, há seis meses, estava bem mais fraca. Entretanto, considero o aumento de 7% no País significativo'', opina Perez.
O empresário comenta que em 2011 o preço da terra não deve subir mais, e deve ficar, na região de Londrina, entre R$ 50 e R$ 60 mil o alqueire (ou 1,2 mil sacas de soja). ''A procura é maior para pequenas áreas, como sítios, com o objetivo de lazer e não de produção. O agricultor tem que estar muito bem estabilizado para entrar nesse tipo de negócio'', completa.


