Paulo Sérgio Sartori,a esposa Eliane e os dois filhos comemoram a qualidade de vida obtida com a melhora na renda familiar após a troca do bicho-da-seda pela fumicultura
Paulo Sérgio Sartori,a esposa Eliane e os dois filhos comemoram a qualidade de vida obtida com a melhora na renda familiar após a troca do bicho-da-seda pela fumicultura



O sistema de integração entre as grandes empresas do setor e os produtores de tabaco, sem dúvida, traz um modelo eficiente quando comparado a outras atividades agrícolas. A integração está muito bem construída. É claro que o preço pago ao fumicultor está relacionado às oscilações de mercado e qualidade do produto entregue, mas a atenção é grande durante todo o processo: desde os cuidados com a muda até a entrega do produto já curado.

Se na região Centro-Sul o tabaco Virgínia, de maior valor agregado, é o principal produzido, no Norte do Estado, o tabaco de Galpão é a aposta para produtores de pequenas áreas, que conseguem uma rentabilidade interessante por hectare comparado a grãos, por exemplo. Só a Souza Cruz possui no Paraná em torno de 8,1 mil fumicultores integrados, o que corresponde a cerca de 20% do total da empresa. Na região de Apucarana (Vale do Ivaí), são exatos 81 fumicultores produzindo em média 740 toneladas, sendo o mais velho com 12 anos de integração. "O Paraná tem característica de culturas de larga escala, mas o tabaco é interessante para pequenas propriedades, em que não é necessário uma mecanização total. Se fizer as contas por hectare, o retorno se mostra interessante, com um custo maior no que diz respeito à mão de obra", explica o gerente territorial de produção agrícola da empresa, Luciano Kovalski.

Paulo Sérgio Sartori, 50 anos, há três entrou de cabeça na cultura. Por quase uma década ele utilizou sua propriedade de quatro hectares para a produção do bicho-da-seda, mas a rentabilidade baixa, problemas frequentes com doenças e manejo complexo fizeram deixar a integração com a empresa Bratac. Hoje, o contrato dele é com a Souza Cruz. O interesse veio a partir dos colegas da região, que começaram a ter boa rentabilidade com a cultura. Ele comenta que a orientação dos técnicos é muito boa, o que deu segurança já desde o primeiro momento. Durante o ano, Sartori consegue realizar três safras e sua produção gira em torno de 7 a 9 toneladas de Tabaco de Galpão. "Já no primeiro ano, deu uma boa renda, cerca de cinco vezes mais do que o bicho-da-seda. Consegui grandes conquistas depois que mudei de atividade: comprei implementos e 'fiz' o motor do trator, troquei os pneus, comprei uma moto, mobiliei minha casa e estou pagando um terreno na cidade", elenca ele, satisfeito.

Na colheita e classificação, momento mais pesado do trabalho, ele conta com a mão de obra da esposa, Eliane, sempre utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e evitando o contato com as folhas quando há umidade. Ele comenta que nunca teve problemas de segurança nessa fase do trabalho. "Usando os equipamentos, a saúde não é prejudicada".

Ao ser questionado pela reportagem se tem alguma preocupação com a diminuição do consumo de cigarro o que ocasionaria uma menor necessidade do tabaco no futuro, Sartori se mostra tranquilo. "Tenho que pensar no presente e aproveitar esta fase. A renda é muito boa e todos notaram a melhora da minha situação. Pretendo na verdade aumentar a área e mecanizar a lavoura, principalmente no momento do corte. Estou bem satisfeito, além do que o manejo é bem mais simples que o do bicho-da-seda".

INTEGRAÇÃO E MANEJO
Pelo sistema de integração da Souza Cruz no Norte do Paraná, no mês de dezembro a empresa fecha um contrato com os produtores e entre janeiro e fevereiro eles começam a receber todos os insumos, iniciando com a condução das mudas (60 dias) ao plantio da primeira safra, em abril. "Nós fazemos o planejamento de toda a safra, insumos, investimentos, rentabilidade, cuidados na lavoura. Todos esses aspectos são abordados", explica o orientador agrícola da Souza Cruz na região, Marciano do Rosário.

O tabaco fica na lavoura em torno de quatro meses, e após a colheita (manual ou mecanizada), as folhas ficam para a cura no barracão entre 30 e 40 dias, no caso da variedade Galpão. "Depois, o produtor faz a classificação, o enfardamento e um transportador terceirizado vem buscar na casa do produtor".

No que diz respeito às aplicações de defensivos, é utilizado um anti-brotante durante a fase das mudas e, na região Norte, a aplicação de inseticidas para o controle da pulga, que pode variar dependendo do nível de infestação. "Por isso criamos uma estratégia para plantar mais cedo e evitar ao máximo essas aplicações de inseticidas. Hoje o produtor de nossa região está recebendo em torno de R$ 6 a R$ 6,30 para o quilo do Galpão", complementa o orientador agrícola. (V.L.)

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