Potássio escapou da crise
A polêmica sobre o monopólio na comercialização dos insumos agrícolas (adubos e fertilizantes) no Brasil permanece sem um desfecho. Talvez seja por isso que Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), vem se queixando da pressão dos produtores sobre os custos do potássio. Enquanto a crise baixou os preços de adubos, calcário e alguns suplementos minerais, o valor pago pelo potássio ainda é alto. ''Praticamente todos os insumos baixaram por causa da crise, mas o potássio não cai'', comparou.


Nomes aos bois
Bunge, Fosfertil e uma união entre Mosaic e Yara formam o monopólio, que já foi inclusive chamado de cartel pelo ministro, que detém 98% do mercado global de fertilizantes. ''Não só é preciso, como importante (controlar esse mercado). Nós temos a situação do monopólio mundial e o potássio, por exemplo, é dominado por quatro grandes países. As jazidas estão nas mãos de três grandes multinacionais, que são os grupos que comercializam isso no Brasil.'', enfatizou o ministro.




Soja lidera consumo
O mercado de fertilizantes movimenta mais de R$ 96 bilhões anuais. Agricultores reclamam que a raiz de muitos prejuízos é a dependência da oferta quase exclusiva desse grupo. A soja, por exemplo, é a cultura que mais utiliza o insumo - uma fatia de 33% do total plantado. Junto com mais quatros culturas agrícolas, eles respondem por quase 80% do consumo nacional.



Consumidor paga o 'pato'
Sobre o valor no custo de produção dos alimentos, o Ministério da Agricultura aponta que os fertilizantes são responsáveis por 40% do gasto total da cadeia. Fator que se reflete diretamente nos preços aos consumidores. ''Obviamente (isso acontece) é porque existe o monopólio. Nós temos que localizar, dimensionar a começar a explorar todas as nossas usinas. O Brasil já tem um projeto pronto que levará 10 anos para ser executado. É uma questão seríssima esse negócio dos insumos'', completou Stephanes.

Renato Oliveira

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