O consumo de carnes de aves consideradas nobres como faisão, pavão, avestruz, perdiz é hoje um mercado em expansão, principalmente nos grandes centros urbanos, onde as pessoas procuram novas opções de carnes para uma cozinha sofisticada. A criação de aves ornamentais também é desenvolvida com outros objetivos como conservação de espécies e lazer, e sua produção movimenta uma representativa cadeia produtiva, envolvendo rações, medicamentos e equipamentos.
ArquivoA criação de avestruz está crescendo no Brasil, acompanhando tendência mundialA médica veterinária Stella Maris Benez, especialista em aves ornamentais, esteve realizando curso na Universidade Estadual de Londrina (UEL) sobre criação, clínica, manejo e tratamento de doenças. Segundo ela, a importância do estudo destas espécies ornamentais está relacionado aos riscos de transmissão de doenças para a avicultura de corte comercial e também como problema de saúde pública. Stella disse que ainda não existem números oficiais sobre a produção de aves ornamentais para abate, porque é uma atividade muito nova, com pequenos criadores espalhados por diversas regiões.
A médica veterinária Stella Maris Benez está entre os cinco especialistas em aves ornamentais do Brasil
Estudos recentesA pesquisa nesta área veterinária ainda é recente no Brasil. Existem em todo o País apenas cinco especialistas no assunto. Stella está entre eles, além de ser professora de homeopatia veterinária. Recentemente publicou o livro ‘‘Aves - Criação, Clínica, Teoria e Prática’’.
Segundo a pesquisadora, 70% da população brasileira criam algum tipo de animal doméstico, e destes 18% criam aves, o que é um índice alto. ‘‘A clínica de aves domésticas, também chamadas pets, não deve ser encarada como a de outros pequenos animais. Além de serem espécies bastante diferenciadas dos outros pequenos animais, as aves têm características específicas e inúmeras funções que devem ser consideradas pelo veterinário’’.
Mário CesarO livro ‘‘Aves’’, lançado em março pela veterinária Stella Maris Benez, aborda aves silvestres, ornamentais e avinhadosComo a criação de aves ornamentais não é monitorada e nem controlada por órgãos ligados a sanidade animal, elas representam um foco de contaminação de doenças bastante sério em avicultura comercial. ‘‘O Brasil é hoje o segundo maior produtor de aves do mundo e é preciso formar especilistas para trabalhar nesta área’’, diz o professor do Departamento de Medicina Aviária da UEL, Ivens Guimarães, que promoveu a vinda da pesquisadora a Londrina.
Além de atender aves ornamentais em sua clínica, a professora Stella Maris dá assessoria, consultoria e assistência técnica para projetos e criações comerciais de aves voltadas para produção ( faisão, pato, perdiz, pavão, galinha de angola, avestruz, ema, ganso, marreco), com fins de preservação e conservação das espécies (papagaios, araras, tucanos, periquitos, mutum, jacu), e com fins de lazer (curió, canário, bicudo, sabiá).
A veterinária comenta que o criador procura a assistência quando tem baixa produtividade ou algum surto de doença. E muitos, sem orientação, fazem instalações e manejo inadequados, com nutrição desequilibrada.
DiversidadeA diversidade das criações de aves gera projetos com finalidades muito diferentes, explica Stella. Existem criatórios conservacionistas, científicos, comerciais, experimentais, ornamentais, para repovoamento, entre outros. A veterinária lembra que, no planejamento de uma criação, devem ser levados em consideração o tipo de ave, a finalidade da criação, o tipo de mercado, a demanda para o produto, a localização do criatório.
As carnes de aves estão conquistando o mercado por alguns fatores apontados pela pesquisadora, como a busca por carnes mais baratas, pouco gordas, com baixos índices de colesterol e que proporcionem uma diversificação na culinária. Até ovos sem colesterol têm sido encontrados no mercado. Como exemplo de carne nobre, Stella cita o faisão, que em sete meses de idade, submetido a manejo correto, alimentação balanceada e higiene, atinge um peso que varia entre 900 e 1200 gramas limpas. ‘‘Os preços compensam a produção de aves ornamenttais. Enquanto o quilo do frango custa em média R$1,10, o faisão pode chegar de R$6,00 a R$10,00 a peça de dois quilos e meio.’’
QualidadeO retorno econômico é certo, segundo a veterinária, se a criação for bem conduzida e a carne tiver qualidade. ‘‘Bicho mal criado dá a mesma despesa que um bem criado, e não proporciona rentabilidade’’, destaca.
No mercado brasileiro as aves ornamentais mais consumidas são codorna, pato, ganso, e mais recentemente, ema e avestruz. Outros produtos dessas criações recebem atenção muito particular, como o couro, a plumagem de algumas (ema, avestruz, pavão), assim como o esterco.
As propriedades físicas das carnes de aves dependem muito da idade de abate e da espécie. Stella diz que aves abatidas em idade jovem (6 a 13 semanas para frangos) possuem uma carne tipicamente macia e sua pele é lisa, flexivel e delicada.
Uma preocupação grande na criação de aves ornamentais é a dificuldade de padronização da alimentação das várias espécies. Stella recomenda levar em consideração as bases de nutrição que regem as necessidades mínimas de qualquer espécie de ave. Os nutrientes básicos de uma alimentação completa e bem balanceada são água, proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas.DoençasO estudo das espécies ornamentais é recente e está relacionado à transmissão de doenças na avicultura tradicional
Cristina Côrtes

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