Levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural) aponta que 31 mil hectares de soja estão em condições ruins no Paraná. O motivo foram os temporais intensos do primeiro final de semana de novembro que causaram danos em diversos municípios do estado.

O relatório do Deral apontou que, na semana anterior ao temporal, o volume de lavouras de soja em condições ruins no estado era zero. Em condição mediana, o total de hectares subiu para 280 mil, sendo que na semana anterior era 122 mil – uma alta de 157 mil hectares (128%).

No entanto, a maioria da área plantada de soja no estado está em boas condições – segundo o órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), são 4,3 milhões de hectares, que correspondem a 93% da área total já plantada.

“Nas áreas onde houve piora, possivelmente teremos algum dano extremo, como a perda total de áreas localizadas, gerando a necessidade de o produtor se replanejar, seja acionando o seguro, caso tenha, ou realizando o replantio, se isso for viável comercialmente, pois ainda estamos no período recomendado para isso”, destaca Edmar Gervasio, analista do Deral.

Com propriedade em Nova Aurora (Oeste), o produtor Guilherme Chaves Gerona teve mais de 70% da plantação de soja prejudicada pelos temporais. Dentre os 430 hectares cultivados, 315 foram afetados.

Dentro do universo prejudicado, em 75 hectares foi registrada perda total da lavoura. “Nesses 75 hectares vamos fazer o replantio, o restante vamos aguardar. Os outros 240 hectares afetados estão soltando brotos novos, então vamos esperar uns 15 dias para saber se vão ter força para sair”, conta.

No caso do replantio, o agricultor diz que o impacto é expressivo, mesmo com a seguradora pagando adubo e semente. “Não é a mesma coisa que a primeira safra. O ciclo se alonga e sempre aparecem mais pragas no final do ciclo, ou seja, já não dá a mesma coisa que era para dar inicialmente.”

O agricultor tem 95% das áreas seguradas e em algumas partes a seguradora já fez a vistoria.

“Tínhamos feito a aplicação de fungicida em algumas áreas. Já tínhamos todo um planejamento definido, pedidos, e agora teremos que plantar de novo, não sabemos quando vamos colher, no que vai dar. Do tempo desde que eu acompanho meu pai na lavoura, nunca tinha visto um negócio desses na minha vida. Nem o meu pai viu. Em 2021 tivemos perdas no milho safrinha, mas desta vez foi bem pior”, conclui.

PREJUÍZOS

Frente a esse quadro de prejuízos, o Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) orienta alguns procedimentos para que produtores e sindicatos rurais afetados possam acionar as seguradoras e/ou negociar com as instituições financeiras.

Segundo a entidade, os sindicatos devem procurar as prefeituras para informar os danos ocorridos na produção agropecuária em cada município. Caso seja necessário, é importante avaliar em conjunto a necessidade de decreto de situação de emergência.

Também é importante que os sindicatos peçam um relatório dos danos causados pelos temporais em cada município ao Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Agricultura do Paraná).

No caso dos agricultores e pecuaristas que têm apólices vigentes de seguro e contratos do Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária), o Sistema Faep orienta acionar imediatamente as seguradoras e instituições financeiras, para que esses agentes façam as devidas vistorias nas propriedades rurais.

DÍVIDAS

Em caso de desastres naturais, o Manual de Crédito Rural do Banco Central prevê a prorrogação de dívidas de custeio junto às instituições financeiras.

As condições para a prorrogação das dívidas de custeio são individuais e precisam ser negociadas diretamente com as instituições financeiras.

Para isso, o produtor rural precisa cumprir algumas etapas, como registrar os prejuízos na propriedade rural com fotos e vídeos; apresentar um laudo assinado por assistente técnico e um quadro demonstrativo da capacidade de pagamento, mostrando receitas e custos da safra; e protocolar o pedido de prorrogação, que deve ser feito em duas vias e com a manutenção de uma via assinada pelo gerente da instituição financeira.

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