Tempo quente e seco também atinge outras culturas
O clima quente e seco por longos períodos não é prejudicial apenas para soja e milho, mas para as outras culturas do Paraná. O Deral ainda não conseguiu avaliar o impacto nesses outros casos, mas é fato que culturas como café, laranja, olerícolas e também a pecuária sofrem perdas neste momento. Essa combinação de fatores tem contribuído para uma maior evapotranspiração, diminuindo a disponibilidade hídrica no solo e agravando o problema da estiagem. O estresse hídrico é muito severo neste momento, segundo especialistas.
No caso do café, a estiagem ocorre no momento em que as árvores mais necessitam de umidade para o enchimento dos grãos e encerramento do ciclo. A baixa umidade e as altas temperaturas na fase de granação do café resultam na má formação de grãos, que ficam irregulares. O tempo adverso também atrapalha a produção de laranja, pois os frutos têm seu desenvolvimento comprometido. As laranjas tardias da safra 2013/14 estão murchas, enquanto as da próxima safra merecem adequada avaliação.
Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde 50% das olerícolas do Estado são produzidas, já é possível ver a diferença de preços dos produtos nas feiras livres e orgânicas. Mesmo com a irrigação, muitas culturas como do alface e tomate não estão suportando o calor e sofrem com a queda de produtividade. "Há casos de agricultores que perderam 70% da produção de hortaliças devido ao excesso de calor. Mesmo irrigando nos períodos da manhã e tarde, em algum momento a planta acaba passando por um estresse", explica o coordenador de olerícolas do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Iniberto Hamerchmidt.
De acordo com ele, em algumas feiras o alface está acabando antes mesmo das 10 horas da manhã. Como essa cultura é mais sensível ao clima, há a expectativa de uma quebra este mês com variação entre 10% e 20%. "Na feira orgânica aqui de Curitiba, o pé de alface subiu de R$ 1 para R$ 1,50. O tomate continua com um preço acessível porque a produção ainda está intensa e também vindo de outros estados", complementa o coordenador do Emater. (V.L.)





