Furacões nos Estados Unidos (EUA), tempo bom para a citricultura do Noroeste do Paraná. A região espera ampliar o mercado nacional, que tem São Paulo (SP), como um dos maiores produtores, onde a produção de laranja é a segunda atividade rural do estado, menor apenas que a de cana-de-açúcar.
A laranja é a fruta mais comercializada nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasas). O crescimento da produção paranaense está substituindo, gradativamente a importação do produto de outros estados.
Os 312 pequenos e médios produtores da região, com uma área de 1.771 hectares plantadas com variedades de laranja, tangerina e limão, acreditam que os desastres naturais nos EUA, que devastaram parte da produção americana, contribuam para o aumento no preço dos citros comercializados junto às indústrias de sucos.
De olho no clima favorável para a cultura, alguns produtores já pensam em aumentar a área de produção.
No início da década de 60, os pais dos irmãos Márcio e Marcos Mosconi chegaram em Altônia (62 quilômetros a sudoeste de Umuarama).
Inicialmente, a família se dedicou à cafeicultura e, desde 1995, 80% da área total de 30 alqueires de duas propriedades rurais se destinam à produção de citros. O restante é ocupada com a criação de gado de corte.
''Estamos plantando uma área de mais 15 alqueires de citros em função do furacão nos EUA, acreditando no potencial de mercado'', afirmou Márcio. que comercializa as frutas em Umuarama (cidade-pólo/Noroeste), Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel), Maringá (cidade-pólo/Noroeste) e Toledo (cidade-pólo/Oeste), tendo entre os compradores redes de supermercados.
''Os mercados querem que a gente tenha o produto o ano inteiro, independente de preço e época. Para o ano que vem, a expectativa é que o furação nos EUA ajude a aumentar o preço da laranja para a indústria'', acrescentou o produtor.
Recentemente, os dois irmãos colhiam os frutos da entressafa da variedade de laranja folha murcha, comercializada a R$ 8,00 a caixa de 40 quilos. Cada laranjeira adulta produz cerca de cinco caixas.
Comemorando a mãozinha que o clima está dando para os produtores em 2005, Márcio também espera bons lucros com a antecipação, em quatro meses, da florada da laranja pêra rio.
''Não sei se foi a estiagem ou as chuvas no início do ano, mas as plantas estão com a florada adiantada'', festejou Márcio, que cultiva 15 mil pés de citros entre laranjas das variedades pêra rio, valência, folha murcha, salustiana, ponkan, mexerica e limão tahiti.
Como depois da tempestade, vem a bonança, os produtores paranaenses estão otimistas com as perspectivas para a cultura, já que o Estado amargou restrições ao plantio de citros adotada pela Campanha Nacional de Erradicação do Cancro Cítrico (Canecc), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná )SEAB.
Porém, o crescimento da produção não está condicionado somente ao clima, necessitando de incentivos do governo.
''Em outros governos tivemos subsídios para a compra de mudas, esterco e calcário. Se não fosse esse empurrão, a cultura não teria se desenvolvido'', comentou Márcio.

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