Tempo atrasa colheita no Norte
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
A colheita do trigo na região de Maringá só deve começar na segunda quinzena de agosto. O atraso é consequência do plantio tardio devido à falta de chuvas em março e abril. Por causa disso, a maioria dos agricultores iniciou a semeadura em abril. Apesar do atraso na colheita, os técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral) e da Emater já estão preocupados com a redução da área de plantio no Estado. A estimativa dos órgãos ligados à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento é que o plantio de trigo no Paraná foi reduzido em 16%.
Os fatores que contribuíram para esta redução são diversos, mas o principal foi a política de preço do ano passado. Além disso, os técnicos apontam o endividamento dos agricultores e a dificuldade de novos financiamentos como fatores desencadeadores da redução da área de plantio: na região de Maringá foram plantados 55 mil hectares de trigo. A área é igual à do ano passado. Mesmo assim, de acordo com o engenheiro agrônomo do escritório regional da Emater, Romualdo Carlos Facim, esta região não reflete a realidade estadual e nacional.
Opção pelo milhoRomualdo Facim explica que muitos agricultores estão substituindo o trigo pelo milho, apesar dos riscos que esta cultura oferece no inverno. A escolha é feita principalmente em função do preço mínimo garantido ao milho, que varia entre 20 e 25% a mais do que o preço garantido ao trigo.
Para este ano a estimativa do Deral é que a área de plantio do trigo alcance apenas 860 mil hectares no Paraná. No ano passado o Estado plantou 1 milhão e 24 mil hectares de trigo. A produção em 96 foi de 2 milhões de toneladas e a estimativa para este ano é de 1,6 milhão de toneladas. A produtividade deve ser igual à do ano passado - em torno de 76 sacas por alqueire. A redução da área de plantio de trigo é uma tendência nacional.
No ano passado, foram plantados no Brasil 2,2 milhões de hectares. Facim lembra que o Páis já chegou a ter 5 milhões de hectares de trigo. Ele diz que a atual política pode tornar a economia brasileira refém dos exportadores internacionais de trigo.
No ano passado o Brasil importou mais de 3 milhões de toneladas de trigo, principalmente da Argentina e Canadá. Este ano, acredita Facim, o Brasil deverá importar uma quantidade maior do produto, já que a produção é menor e também deve-se levar em conta o aumento do consumo interno.
O técnico do Deral, em Maringá, Dorival Aparecido Basta, também revela preocupação com a política do trigo no País. Ele acredita que a área de plantio este ano no Brasil não chega a 1,5 milhão de hectares. Segundo Basta, o principal fator que contribuiu para a redução da cultura foi o preço baixo oferecido no ano passado pelo produto. Sem um preço mínimo compatível com os custos de produção e sem uma política de incentivo ao plantio, a tendência, conforme Basta é que a área de trigo em todo o Brasil diminua gradativamente nos próximos anos. Atualmente, o preço mínimo do trigo é de R$ 9,60 a saca de 60 quilos. Em Maringá, o preço sobe um pouco e está em torno de R$ 10,20 a saca.


