Tempo adianta o ponto de colheita
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 1998
Marcos Zanatta De Maringá 
A uva de Marialva tem qualidade garantida.O clima quente e as chuvas frequentes adiantaram o ponto de colheita da maior parte dos parreirais, e os produtores aproveitaram o aumento do consumo no período de festas do final de ano. Em média 40% da uva de Marialva são comercializados até dezembro, porém nesta ssafra mais de 80% da produção já foram vendidos. O secretário municipal de Agricultura, José Odair Mazia acredita que 120 produtores fornecerão uva suficiente para os 11 dias de festa.
Marialva tem cerca de 650 famílias trabalhando nos mais de 1200 hectares de uva plantados no município. A área de uva cresceu cerca de 25% no último ano, e vem ganhando espaço em toda a região. Mazia diz que apenas nos últimos 12 meses foram plantados mais 240 hectares de parreirais, boa parte em propriedades que ainda não trabalhavam com fruticultura.
EmpregosA vantagem da cultura, explica Mazia, é a geração de emprego praticamente o ano todo, além da garantia de renda para o proprietário e os parceiros. Mais de mil pessoas trabalham com uva, naquele município, apenas nos novos plantios. Em média a uva garante quatro empregos por hectare. Os trabalhadores têm serviço quase todo o ano, já que são duas safras, uma agora e a outra em maio, quando os preços geralmente são melhores. O faturamento total com a cultura em Marialva, calcula Mazia, chega a R$ 25 milhões por ano. Cerca de R$ 14 milhões apenas na safra de verão.
A uva garante trabalho para quatro pessoas por hectare durante todo o ano
Outras vantagens da uva: o retorno que a cultura garante para quem utiliza tecnologia; o rendimento médio por hectare é de 18 toneladas, considerado bom pelos técnicos, porque garante um rendimento superior ao de outras atividades agrícolas. Mazia acrescenta que o preço médio do quilo, em torno de R$ 0,90 nas últimas semanas, mantém-se acima do custo de produção. Dificilmente o produtor que tem bom manejo perde com a uva, afirma o agrônomo.
PComercializaçãoraticamente toda produção do município - em torno de 18 mil toneladas na atual safra - é comercializada nos grandes centros. Até há alguns anos, lembra o secretário municipal da Agricultura, noventa por cento da uva de Marialva era entregue no Ceagesp, em São Paulo. De lá o produto seguia para outros centros. Com uma estrutura baseada nas associações de produtores, hoje a uva é comercializada de forma mais direta, chegando aos mercados consumidores como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e até o Paraguai e Uruguai.
Segundo Mazia, este ano a qualidade da uva da região está acima da média, graças ao clima mais quente durante todo o ano. O único problema são os produtores que vendem a uva antecipada, ainda verde. Mazia explica que, como a safra do interior de São Paulo termina em novembro, poucos dias antes de iniciar-se a da região de Marialva, existe uma brecha no mercado. E os atravessadores aproveitam, para entrar nesse espaço mesmo com uvas verdes. Os preços chegam até R$ 2,00 o quilo, e os produtores acabam vendendo verde mesmo, prejudicando a imagem da uva cultivada na região, critica.
Marcos NegriniMuitos produtores estão ampliando a área de parrerais, de olho no mercado garantido da uva
Durante a festa, que vai até o dia 18 de janeiro, na praça da igreja de Marialva, os destaques são as variedades itália, rubi, benitaca e niágara. Teremos uva para todos os gostos, adianta Mazia. O preço médio da uva, durante a festa, deve girar em torno de R$ 1,00. O mesmo valor praticado na venda de atacado, e um pouco abaixo do preço normal de mercado. Com a garantia de oferecer apenas uva de alta qualidade, garante ele.
Nos dois domingos serão realizadas festas das nações, com comidas típicas, muito vinho e pratos à base de uva. No domingo, dia 18, a atração será o concurso de chupadores de uva fina, que sempre é muito disputado. Durante toda a semana serão realizados shows com conjuntos e bandas regionais. A expectativa dos organizadores é de levar pelo menos 300 mil pessoas à Festa, nos 11 dias.


