O clima no Brasil registrou um aumento de temperatura de 0,5°C nos últimos 30 anos, segundo dados mensurados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Marcos Sanches, pesquisador da instituição, explica que essa mudança resultou em um aumento na frequência e intensidade dos fenômenos climáticos, como o excesso de chuvas no verão e o deficit hídrico no inverno. "Na região Sul, por exemplo, as frentes frias estão vindo cada vez mais intensas", destaca o pesquisador.
Esses fenômenos regionais, salienta Sanches, têm se tornado mais frequentes, o que gera uma maior preocupação, principalmente por parte dos produtores que estão mais suscetíveis às intempéries. "Os ciclos climáticos praticamente não registraram muitas oscilações ao longo dos últimos anos, mas sim em sua intensidade." O resultado disso, completa ele, são os estragos que aparecem nos centros urbanos e também na zona rural, como ocorreu com a geada do último inverno que afetou o trigo e o café no Norte do Paraná.
No caso dos períodos de chuvas mais intensas, Sanches destaca que fenômenos como a erosão e o intemperismo são os mais comuns. O especialista afirma que, se não houver uma mudança de hábito como a adoção do bom uso do solo e a menor utilização de automóveis, as consequências serão bem delicadas. "O aquecimento global é um fato comprovado", destaca Sanches.

No campo
Sérgio Higashibara, produtor na região de Mauá da Serra (Norte), tem notado o aumento na intensidade das chuvas onde produz. "Tenho percebido também que há estações do ano em que o calor está aumentando e as chuvas reduzindo", lembra. Além disso, completa o produtor, as chuvas não são regulares, dificultando o estabelecimento de um calendário agrícola fixo.
O agricultor recorda que há pouco mais de dois anos ele conseguia plantar feijão e milho em setembro. Porém, com a escassez de chuva nesta época do ano, fato que vem ocorrendo nos últimos tempos, Higashibara conta que tem atrasado o plantio em torno de 20 dias. "Isso atrasa a minha colheita e, consequentemente, a semeadura da próxima safra", reclama.
Nesse ano, a geada foi o fator climático que mais trouxe prejuízos para o produtor. Higashibara chegou a perder 90% de sua plantação de trigo. "Nunca tive uma perda tão significativa", lamenta o agricultor. Ele completa que as temperaturas estão indo aos extremos, ou seja, no inverno muito frio e no verão muito calor. Para amenizar os efeitos do clima, o produtor destaca a adoção do plantio direto e a rotação de culturas são as duas principais armas dos produtores para manterem as suas plantas mais resistentes.(R.M.)

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