Temos tradição, falta organização
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sexta-feira, 20 de julho de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná já foi o segundo produtor de mel do País, em 2004, com um volume anual de produção de 4.348 toneladas (t), só perdendo para o Rio Grande do Sul. A partir da safra de 2005, a situação mudou e o Piauí passou a ser o segundo produtor com uma produção de 4.497 t e o Paraná com 4.462 toneladas. O Rio Grande do Sul continua como maior produtor com 7.427 t. Estes são os últimos dados comparativos entre estados divulgados pelo IBGE.
O Paraná perdeu espaço também nas exportações de mel. No ano passado, o Estado vendeu para o mercado externo 898 t e ficou atrás de São Paulo, Ceará, Santa Catarina, Piauí e Rio Grande do Sul. Em 2003, o Paraná chegou a exportar o dobro, cerca de 1,9 mil t. Por outro lado, as exportações brasileiras apresentaram crescimento. Em 2001, o Brasil exportou 2.489 toneladas mas atingiu o pico de 21.028 t em 2004. A Argentina e a China passaram por uma crise em 2001 que envolveu problemas sanitários, tarifários e de contaminação e a Europa veio buscar o mel brasileiro. Com a retomada da produção da China e da Argentina, em 2005, as exportações caíram para 14.442 t e, no ano passado, fecharam quase no mesmo patamar atingindo 14.600 toneladas.
De acordo com o médico veterinário e técnico de apicultura do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Roberto de Andrade Silva, os Estados Unidos passaram a importar mais no ano passado e foi isso que salvou o produto brasileiro.
''O Paraná tem tradição na apicultura mas nos últimos dez anos não houveram políticas públicas para apoiar o setor'', diz. Ele credita à falta de incentivos parte da culpa pela redução na produção e, consequentemente, nas exportações. Para ele, deveria haver mais assistência técnica, extensão rural, pesquisa e crédito para o setor. Silva cita também a falta de organização dos produtores. A Federação dos Apicultores do Paraná, por exemplo, estava inativa desde 2005. No final do mês de junho a entidade começou a organizar-se novamente. Segundo ele, no Piauí, segundo maior produtor nacional, há mais incentivos para o setor.
Ele destaca ainda que a atividade apícola depende muito de preços. ''No Brasil, o produto é encarado como medicamento'', diz. No Sul do País, o consumo é maior porque a população vê o mel mais como alimento, até pelas condições climáticas da região. Para ele, o consumo interno ainda é muito baixo. ''Quando o País começa a exportar mais, a demanda aumenta e sustenta os preços. Com isso, se investe mais no setor'', analisa.
O técnico do Deral lembra ainda dos outros produtos da colméia com mercado garantido que permitem melhorar os ganho do apicultor, como própolis, geléia real, cera. ''Se o produtor trabalha só com o mel fica patinando na produção. Quando ele industrializa, cria produtos, agrega valor e tem demanda'', diz. Mais estudos e pesquisas poderiam também, como sugere, levantar outras aplicações para os produtos da colméia. ''Quando não há condição de pesquisa o produtor perde de usar a matéria-prima para a fabricação de outros produtos'', lamenta.
Hoje, a maior parte dos produtores que trabalham com mel no Estado são agricultores familiares. O Paraná conta com cerca de 30 mil produtores e o Brasil 350 mil, de acordo com informações do Censo Agropecuário do IBGE de 95/96, o último divulgado pelo instituto.


