Temos que receber pela qualidade de nossa produção
A poucos metros, outra família Schwertz, Ivanete e Valdecir Rogério - as duas irmãs são casadas com dois irmãos - também comemora os ganhos com a profissionalização da produção leiteira. ''Estudamos até a 4 série. Onde iríamos arrumar um salário como este?'', questinona a produtora, que receberia no dia seguinte à visita da reportagem da FOLHA, cerca de R$ 6 mil da produção de leite do mês anterior.
O casal, entretanto, tem aptidões profissionais diferentes. Enquanto Ivanete cuida do gado leiteiro, cuja produção ocupa todos os 20 hectares do sítio, Valdecir dedica-se ao cultivo de mandioca em uma área arrendada próxima ao sítio. ''A lida com o gado não é difícil. Trabalho duas horas de manhã e duas horas à tarde'', resume a esposa. Eles já reformaram o estábulo e, financiados por um laticínio interessado na qualidade do leite produzido, compraram também um resfriador.
O rebanho é um pouco menor e as 14 vacas em lactação respondem por uma produção diária de 250 litros de leite. A melhoria do rebanho é feita aos poucos com a compra de gado melhorado. Enquanto isso investem na alimentação do rebanho. ''Compramos uma vaquinha por R$ 1 mil que produzia entre 10 e 12 litros/dia, mas ela tinha 'aparência' para leite. Agora, com comida, é a nossa campeã de produção com 28 a 30 litros/dia'', comemora Ivanete.
As duas famílias estão atentas não apenas à produção com qualidade mas ao preço que este produto alcança no mercado leiteiro. ''Não aceitamos preço inferior ao sugerido pelo valor de referência'', diz ela, citando o preço determinado pelo Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite). O preço de referência, divulgado mensalmente, é um valor médio da matéria-prima (leite), calculado a partir dos preços de venda de alguns derivados lácteos como queijos, e representa uma remuneração mais justa tanto para produtores quanto para a indústria.(C.G.)





